Irrigantes vão à guerra contra o fim dos subsídios da energia

    "Se preciso, vamos fechar estradas e pontes"

    Foto: Celeiro do Brasil
    Foto: Celeiro do Brasil

     

    Ervino Kogler há 15 anos toca o Projeto Formoso, em Bom Jesus da Lapa. Em 100 hectares ele planta banana, com a marca Banana Bahia, tangerina e limão. Emprega 20 pessoas e paga R$ 10 mil/mês de energia hoje. Quando o decreto de Michel Temer, de 28 de dezembro, tirando os subsídios da energia para irrigantes, tiver a pleno vapor, vai pagar R$ 14 mil.

    — Vamos ter que repassar. E também demitir, para conter custos. Fica muito pesado.

    Pior para quem planta milho. Hoje, o custo de energia é de 15 sacas por hectares. Com o decreto vai para 34, segundo Hermes Bonfim, agrônomo e gerente no Brasil da Irriger, empresa que atua em todo o planeta. Em suma, milho, cebola e coco, vão encarecer.

    Protestos

    O painel da situação foi debatido ontem na Comissão de Agricultura da Assembleia. A Bahia tem 23 projetos de irrigação, 17 federais e seis estaduais, com 504,7 mil hectares, 7,25% da área nacional e 43% do Nordeste, englobando 42 mil produtores e 630 mil empregados.

    O deputado Eduardo Salles (PP), que propôs o encontro, diz que os irrigantes vão comunicar aos 513 deputados e 81 senadores a indignação coletiva.

    — Vamos abrir guerra. Quem vai intermediar é a Confederação Nacional da Agricultura. Mas se preciso, vamos fechar estradas e pontes.

    João Lopes Araújo, presidente da Associação dos Produtores de Café da Bahia, diz que o clima é de revolta:

    — Ou o consumidor paga a conta ou nós quebramos. Isso é ruim para todos. Nós do café já estamos há cinco anos sem reajuste.