Isnard defende combate à homofobia, mas destaca ‘direito da pregação’

    "Uma coisa é você defender a fé, defender o direito da pregação, da palavra de Deus. Outra coisa é a homofobia. É diferente"

    Foto: Luiza Lopes/ bahia.ba

    Membro da bancada religiosa da Câmara Municipal de Salvador (CMS), o vereador Isnard Araújo (PHS) avaliou, em entrevista ao bahia.ba, nesta quarta-feira (13), o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) de uma ação para criminalizar a homofobia.

    Para ele, o Supremo deve se debruçar diante da definição do que seria “de fato” a homofobia e seus “tipos”, no entanto, seria diferente interferir na questão religiosa.

    “Eu sou a favor completamente que se combata os que, de fato, são homofóbicos. Eu sou contra no que diz respeito ao que define a questão religiosa. Porque existe a questão de religiosidade, a questão de fé. Uma coisa é você defender a fé, defender o direito da pregação, da palavra de Deus. Outra coisa é a homofobia. É diferente. Com certeza, sou contra a homofobia, contra qualquer tipo de violência”, declarou o vereador.

    Diante do pedido da bancada evangélica para impedir o julgamento, que acabou negado pela Corte, Isnard comparou a questão com o Estatuto da Igualdade Racial que foi levado à CMS.

    “Por exemplo, aqui há um projeto parecido, que é o projeto da Igualdade Racial, que diz que não pode causar constrangimento, nem tampouco qualquer tipo de desconforto ao LGBT. E isso inclui a Igreja. Se o pastor ler um texto bíblico, que fala a respeito de homem com homem é torpeza, ele pode se sentir discriminado ou tratado com homofobia”, afirmou.

    Ele defende que “uma coisa é você ter as regras bíblicas, outra é o direito do homossexual de ser homossexual, de ser respeitado, de ser tratado com dignidade e respeito”. “Ou seja, eu tenho o direito de ter o meu conceito. Ele tem o direito de entender a minha fé e, sobretudo, tenho dever de respeitá-los”, concluiu.