Jáder Filho diz que seria ‘incoerente’ MDB não apoiar Lula em 2026

    Sigla comanda três ministérios no governo e integra base no Congresso, mas enfrenta divisões regionais

    Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

    O ministro das Cidades, Jader Filho (MDB), afirmou que seria “incoerente” o MDB não apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial de 2026. A declaração foi feita em entrevista ao portal Metrópoles e ocorre em meio a movimentos internos do partido, que apesar de ocupar três ministérios, ainda não consolidou uma posição oficial sobre a próxima disputa eleitoral.

    “Eu acho que é uma incoerência o MDB ter três ministérios, e não são qualquer ministérios, e não apoiar Lula. O MDB tem o dever de permanecer com o presidente”, disse o ministro. “Não é lógico a gente estar participando do governo da maneira que estamos e, na eleição, ir para outro campo”, completou.

    Além das Cidades, comandado por Jader, o MDB também ocupa as pastas do Planejamento, com Simone Tebet, e dos Transportes, com Renan Filho. Jader tem se aproximado de Lula ao longo da gestão e é responsável pelo programa Minha Casa, Minha Vida, considerado uma das principais vitrines do governo para ampliar apoio entre a classe média.

    Na avaliação do ministro, o partido deveria formalizar o apoio já no primeiro turno. “A minha posição é que o MDB deve apoiar o presidente Lula desde o início”, afirmou.

    Apesar da presença no governo e da atuação como base no Congresso, o MDB enfrenta resistências internas a uma aliança com o PT. O presidente da legenda, Baleia Rossi, tem bom trânsito no Planalto, mas também mantém relação com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), nome cotado para a corrida presidencial.

    Jader reconheceu que o partido tem tradições regionais distintas e defendeu o debate interno. “Você tem situações, por exemplo, no Rio Grande do Sul, onde uma parte do MDB sempre fez oposição ao PT. Nós temos que respeitar isso. O MDB nunca forçou uma situação”, disse. Para ele, se não houver consenso, a decisão deve ser tomada em convenção. “Vamos respeitar o que for decidido, mas minha posição é clara.”