João Doria, o passado requentado e uma ovada que roubou a cena

    Tucano, que é presidenciável, veio a Salvador em um ato político, tudo requentado

    Frase da vez

    “A agressão é o último refúgio do incompetente.”
    Isaac Asimov, escritor de ficção científica russo que morreu norte-americano (1920-1992)

    Foto: Alexandre Galvão/ bahia.ba
    Foto: Alexandre Galvão/ bahia.ba

     

    Os incidentes ontem na Praça Municipal, quando João Doria, prefeito de São Paulo, foi atingido por um ovo pouco antes de receber o título de Cidadão de Salvador, parecem estar dando a medida de quão acirrada será a disputa de 2018 na Bahia.

    João Doria, que é presidenciável, veio a Salvador em um ato político, tudo requentado. Na falta de fatos recentes, os aliados lembraram que o bisavô dele, João Agripino da Costa Dória, foi prefeito interino da capital baiana em 1895, logo após a proclamação da República. O avô, João Agripino da Costa Dória Neto, foi deputado federal pela Bahia cassado em 1964.

    A oposição também requentou uma infeliz declaração dele de 20 anos atrás, de 1987, quando era presidente da Embratur, e sugeriu no Ceará que o governo federal cortasse verbas destinadas a irrigação e transformasse a seca do Nordeste em uma atração turística, algo interpretado como um deboche com o flagelo nordestino.

    Agora, o ato político que ele protagonizou, a concessão de um título de Cidadão Soteropolitano, veio com a ovada que acabou roubando-lhe a cena.

    Óbvio que democracia é o direito de se, se posicionar. Mas isso não pode ser confundido com o direito de agredir. Senão, degringola.