Frase da vez
“No inferno, os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempo de crise”.
Dante Alighieri, escritor, poeta e político italiano (1265-1321)

Jorge Hage Sobrinho, que dirigiu a CGU por mais de 10 anos e saiu de lá aplaudido, gravou vídeo para fazer uma pergunta instigante: por que extinguiram a CGU, se em matéria de combate à corrupção o órgão ganhou credibilidade no país e fora?
Diz ele que a marca já era conhecida nos quatro cantos do Brasil e, o nome, a marca, coisa que a turma do marketing leva anos para consolidar, já estava firmada, tinha o valor simbólico.
Ademais, nos seus tempos de atuação, demitiu mais de cinco mil servidores corruptos.
Hage está cheio de razão. Se o governo de Michel Temer quis apagar uma marca por ter sido associada à era do PT (mas quem criou foi Fernando Henrique Cardoso, ressalte-se), atirou no pé.
Como diz o próprio Hage, fica parecendo que ele quer desmanchar tudo que foi feito. Tudo de bom, diga-se.
O garçom e o gatilho
A demissão rápida do garçom José Catalão, que serviu ao Planalto na era do PT, virou mote de chicanas nas redes sociais.
O que se diz: com Fabiano Silveira, o da CGU, que criticou a Lava Jato e estava ensinando Renan Calheiros a se defender, ele hesitou. Com Catalão, coitado, foi rápido no gatilho.
Esperando a Odebrecht
A notícia de que a Odebrecht formalizou com o Ministério Público um acordo de delação premiada e leniência agitou o mundo político, ontem, em Brasília. Se Marcelo Odebrecht, que está preso há um ano, e o pai, Emílio Odebrecht, contarem tudo, a República vai tremer. Ou, como diz o ex-presidente José Sarney, será ‘um tiro de calibre 100’.
A esperança de fisgar em definitivo Lula e Dilma e carimbar de vez o passaporte de Aécio Neves para a Lava Jato.
Entre os baianos, há também grande expectativa. Diz-se que poucos sobreviverão.

Esperando Temer
ACM Neto inaugura amanhã a UPA de Brotas, no Jardim Madalena. Com ela, são seis novas (Itapuã, San Martin, Barris, Valéria e Parque São Cristóvão) e uma recuperada (a de Periperi).
Cada UPA custa R$ 1 milhão por mês. Na época de Dilma, a ajuda era zero. Ele espera que agora, com Temer, a coisa mude.
Avanço feminino
A secretária Olívia Santana (Políticas para as Mulheres) está soltando foguetes com a decisão do governo de transformar o Hospital São Jorge, em Roma, em uma unidade especializada em atendimento ginecológico:
— Nós, mulheres, teremos um atendimento diferenciado. No oceano de problemas que enfrentamos, um dos mais graves é a taxa de mortalidade infantil. Temos 61,4 para quase 100 mil habitantes. É o dobro do minimamente aceitável pela OMS.
Polêmica agropecuária
Os ministérios públicos federal e estadual fecharam questão: a legislação federal exige a licença ambiental para as atividades agropecuárias e um decreto estadual não pode se sobrepor. Ou seja, a agropecuária vai ter que conseguir a licença, se quiser funcionar.
Os MPs haviam recomendado aos bancos que não liberassem financiamentos sem a licença, o que causou grandes transtornos. O governo não tem estrutura para conceder tantas licenças na Bahia inteira.
Acordo provisório
No encontro, ontem, na Comissão da Agricultura da Assembleia para discutir o assunto, ficou acertada uma reunião entre MPF, MPE, IBGE, Casa Civil do governo e secretarias de Meio Ambiente, Agricultura e Desenvolvimento Rural para achar uma solução.
Até lá, os bancos podem liberar dinheiro.
Rigor, com tolerância
Cristina Seixas Graça, promotora do MP baiano, diz estar cumprindo a lei e assim será. Mas refutou o argumento de que tal posição estaria travando a agropecuária da Bahia:
— Temos um dever a cumprir e vamos cumprir. Não dá para aceitar a pecha de que estamos impedindo o desenvolvimento sustentável. Nós nunca movemos uma ação.
Santa Dilma
Na falta do que fazer, os deputados baianos gastam boa parte do tempo atacando e defendendo a dupla Dilma-Temer. Ontem, o deputado Leur Lomanto (PMDB) sugeriu a formar uma comissão para ir ao Papa pedir a canonização de Dilma:
— Ela é inocente, não sabia de nada (da corrupção). Uma santa.

Cerveja zero
A Câmara de Feira rejeitou ontem por 10 a 6 (e uma abstenção) o projeto do vereador Correia de Zezito (PSL) que liberava a venda de bebidas alcoólicas no estádio Joia da Princesa. Lá, se diz que a maioria dos contrários é de evangélicos.
As novas regras das eleições deste ano trazem uma novidade que está sendo bem aceita. Antes, era permitido trocar o candidato até na véspera da eleição. Agora, só 20 dias antes, salvo em caso de morte.
Geddel e os adesistas
No quase ostracismo, após a derrota na disputa para o Senado em 2014, Geddel voltou ao topo com a queda de Dilma e a chegada de Michel Temer, velho amigo, ao poder.
Muitos dos que o abandonaram reapareceram. E o festival de tapinhas nas costas também. Antonio Lins tascou o epigrama:
Eu adiro, tu aderes, ele adere.
Todos nós aderimos, prontamente,
A questão é ficar comodamente,
Sem perder os proventos que se aufere.

