Juliana Paes, vítima de acusações infundadas. E daí? Ela que se vire

    E quem paga a execração midiática, sempre ostensiva e intensiva na hora da acusação e minguada na hora da absolvição?

    Secretária de Desenvolvimento Urbano de Camaçari, Juliana Paes entrou numa ciranda midiática com aval do Ministério Público: no início do ano passado foi acusada, junto com o marido, de comandar uma quadrilha que cobrava propina para liberar empreendimentos imobiliários..

    Em agosto deste ano, a 3ª Câmara do TJ julgou o caso. Ela foi absolvida. Quarta última. a 1ª Câmara do TJ tornou a julgá-la. Inocente. Eis a questão: e quem paga a execração midiática, sempre ostensiva e intensiva na hora da acusação e minguada na hora da absolvição?

    Cagando e andando

    Juliana vai processar por calúnia e difamação pelo menos oito pessoas, entre empresários e adversários políticos, e também recorrer contra o Estado por danos morais. Mas o caso remete a uma reflexão: sempre se disse que quem acusa tem o ônus da prova, mas cadê o ônus para quem execra alguém sem provar?

    No caso do Ministério Público e também da polícia, o desserviço é enorme. Até porque os bandidos de verdade ganham o benefício da desconfiança no acusador.

    Se assim o é, havemos de convir que João Leão, o vice-governador, é quem está certo. Ao ser acusado pela Lava Jato, ao invés de ser execrado, execrou ao declarar:

    — Estou cagando e andando na cabeça desses cornos todos.

    Ele, que é de Barra, lá no oeste, vizinho de Formosa do Rio Preto, palco da Operação Faroeste, ao ser abordado sobre a dita cuja, disparou:

    — Continuo cagando.