Líder das pesquisas em Minas é impedido de se candidatar pelo próprio partido

    Apesar da decisão da legenda, senador contestou o anúncio e afirmou que continua pré-candidato ao Palácio Tiradentes

    Foto: Agência Senado

    O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), líder da mais recente pesquisa Genial/Quaest para o Governo de Minas Gerais, foi impedido pelo próprio partido de disputar o Palácio Tiradentes nas eleições de outubro. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (29) pelas executivas nacional e estadual do Republicanos, que alegaram falta de definição do parlamentar sobre a candidatura.

    A decisão ocorre um dia após a divulgação da pesquisa Genial/Quaest, que colocou Cleitinho na liderança isolada da corrida eleitoral. No cenário estimulado, o senador aparece com 34% das intenções de voto no primeiro turno e também venceria com ampla vantagem em uma eventual segunda rodada, segundo o levantamento.

    Em entrevista ao UOL, o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, afirmou que o senador “perdeu o timing” para oficializar a candidatura.

    “Demos domingo e segunda-feira para ele decidir. Hoje já é quarta”, declarou Pereira, ao justificar a decisão da legenda. O dirigente também criticou a ausência de Cleitinho na convenção estadual do Republicanos, realizada no último sábado (25), em Minas Gerais.

    Em nota conjunta, as executivas estadual e nacional afirmaram que a falta de uma posição definitiva do senador e sua ausência na convenção produziram “consequências inevitáveis”, levando o partido a encerrar a possibilidade de lançá-lo ao governo estadual.

    Apesar da decisão da legenda, Cleitinho contestou o anúncio e afirmou que continua pré-candidato ao Governo de Minas. Pela legislação eleitoral, no entanto, o senador não pode trocar de partido neste momento, o que dificulta a viabilização de uma candidatura por outra sigla.

    Luto influenciou indefinição

    Interlocutores do senador atribuem a demora para anunciar a candidatura ao luto pela morte de seu irmão mais novo, Matheus Azevedo, que faleceu no último dia 18 de julho em decorrência de complicações causadas por leucemia.

    Segundo aliados, Cleitinho informou que não tinha condições emocionais de tratar da campanha durante o período e permaneceu recluso após a perda familiar.

    “Ninguém ia parar de perguntar. Você não tem psicológico para isso”, afirmou o ex-prefeito de Divinópolis ao justificar a ausência do senador na convenção estadual do Republicanos.

    Disputa fica aberta sem o líder das pesquisas

    A saída de Cleitinho reorganiza a disputa pelo Governo de Minas Gerais. Nos cenários simulados pela Genial/Quaest sem o senador, não há um líder isolado.

    O ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), aparece com 15% das intenções de voto. Na sequência estão o ex-ministro Patrus Ananias (PT), com 13%, e o governador Mateus Simões (PSD), que registra 9%.

    Como a margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais para mais ou para menos, os três candidatos estão tecnicamente empatados na liderança, configurando uma disputa aberta caso Cleitinho permaneça fora da corrida eleitoral.