Líder do PT defende pré-candidatura de Robinson e prevê definição até o fim de agosto

    Segundo o vereador Tiago Ferreira, o deputado, no atual cenário, deverá ser o nome a representar o partido nas eleições municipais de 2024 em Salvador

    Foto: Ingrid Correia/bahia.ba

    O estreitamento dos laços entre o deputado estadual Robinson Almeida (PT) com o Partido dos Trabalhadores na capital baiana fica cada vez mais forte e a sua pré-candidatura da legenda à Prefeitura de Salvador em 2024 ganha cada vez mais corpo. É o que garante o líder da sigla na Câmara de Vereadores, Tiago Ferreira (PT), um dia após Almeida visitar a bancada petista no Legislativo soteropolitano.

    Ferreira revelou ao bahia.ba que, no atual cenário, até o fim deste mês o partido deve se decidir entre os nomes de Robinson Almeida e de Rodrigo Pereira, únicos apresentados até o momento e, nesse contexto, o vereador não esconde o entusiasmo com a possibilidade do deputado estadual conseguir se viabilizar como o principal opositor do prefeito Bruno Reis (União Brasil), em uma eventual recandidatura do atual titular do Palácio Thomé de Souza.

    “Robinson e Rodrigo já foram ouvidos pelo partido e Robinson tem avançado muito mais do que apenas ser ouvido no partido, ele tem dialogado com todas as forças políticas do PT de Salvador, do PT estadual, com os deputados estaduais e federais do partido também, e tem construído uma maioria dentro do PT pra ser o nome do PT pra apresentar ao conselho político do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e ser o candidato a prefeito da cidade. Nós estamos esperançosos por isso. Porque como eu sempre falei, acho que o melhor nome e o melhor partido para estar nas urnas no ano que vem é o 13. Porque o 13 polariza com o 44 [número do partido União Brasil nas urnas]. É como se fosse uma disputa de Bahia e Vitória”, defende o edil.

    Ainda segundo Tiago Ferreira, Robinson Almeida, em sua campanha interna dentro do partido para tentar se viabilizar pré-candidato, falta apenas conversar dentro do PT com o grupo do vereador Arnando Lessa (PT) e o da vereadora licenciada Maria Marighella (PT), além do grupo do ex-deputado federal, Luiz Alberto (PT).

    “Ele já conversou com as outras forças políticas, com o próprio Rodrigo Pereira, já conversou com a corrente política do presidente estadual Éden Valadares, tem conversado com a corrente da vereadora Marta Rodrigues e com a corrente do deputado Valmir Assunção”, aponta o vereador destacando que a ideia é trabalhar na construção de uma unidade para poder apresentar ao Conselho Político do governador.

    Caso a pré-candidatura de o nome escolhido pelo PT de Salvador não ser acatada pelo grupo que reúne os líderes partidários que integram a base da gestão estadual, Ferreira defende então que, no âmbito da capital baiana, a federação formada pelo PT, PCdoB e PV esteja liberada para montar uma chapa própria, o que dividiria a base. “É a minha opinião. Mas estamos apostando na unidade do grupo e, não havendo unidade, acho que poderia ser uma alternativa pra gente”.

    Trindade longe do PT

    Nesse cenário que ganha força, explica Tiago, a chance de o presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Bahia, José Trindade, deixar o PSB para migrar para o PT, como se cogitava nos últimos meses perde cada vez mais robustez.

    Conforme o parlamentar, as declarações recentes do senador Jaques Wagner (PT) e do próprio Éden Valadares apontam nesse caminho, já que os dois salientaram que se o PT tiver candidato e Salvador, deveria ser um nome orgânico da legenda.

    “Nós temos lideranças estaduais, como o senador Jaques Wagner, o governador Jerônimo Rodrigues, o ministro Rui Costa e o presidente estadual do Partido dos Trabalhadores, Éden Valadares. E tanto Éden quanto Wagner já sinalizaram que se Trindade for candidato deveria ser pelo partido dele. Então, isso, na minha interpretação, dificulta qualquer movimento de uma candidatura de fora do PT”, revela o vereador.

    Ademais, continua Tiago, embora em algum momento houvesse uma maioria dentro do PT municipal para que o presidente da Conder migrasse de partido, o timing passou e, essa chegada de Trindade poderia conflituar com o posicionamento já mencionado da direção estadual do partido.

    “Mesmo que ele entrasse via PT municipal naquele momento, poderia ter problemas com a estadual, porque o presidente estadual já tinha dito que não via com viabilidade isso, ou seja, como ele é uma figura pública, o estatuto do partido diz que figura pública tem que ser referendado pela pela direção estadual, então nós não vamos fazer nenhum movimento contrário a uma posição do presidente Éden ou fazer qualquer movimento que vá contrapor a um pensamento do senador Jaques Wagner, que eu considero um técnico político do nosso time. Então acho que, nesse sentido, a condição de voltar esse debate de Trindade já não faz sentido”, argumenta Tiago Ferreira.

    Visita de cortesia

    O deputado estadual Robinson Almeida (PT), em contato com o bahia.ba disse que a visita à bancada petista de Salvador se deu por um convite do vereador Tiago Ferreira. O encontro, aponta o parlamentar serviu para estreitar as relações com os vereadores, que têm uma atuação, uma presença aqui em Salvador, em várias áreas, regiões e bases da cidade. “Nós tratamos de organizar uma pauta de intervenção sobre os problemas da cidade”.

    “A cidade perdeu 257 mil pessoas na última década, segundo o IBGE, e isso é reflexo de gestões que não conseguem destravar a cidade, atrair investimentos e pessoas migram atrás de novas oportunidades. Salvador perdeu a condição pra Fortaleza de maior cidade do nordeste. E a gente tem feito um diagnóstico que a cidade ficou sem atração maior para investimentos por conta da alta taxação na cadeia produtiva. Seja com o IPTU mais caro do Brasil ou seja pela questão de tributos que são cobrados a vários segmentos econômicos. Além disso, Salvador não consegue prestar serviços públicos de qualidade. Um pouco mais da metade da população não tem cobertura de atenção básica de saúde pra atender especialmente os mais pobres, os negros, os moradores dos bairros periféricos da cidade. Transporte com colapso no sistema, no financiamento. O metrô melhorou muito a mobilidade, mas não há uma ligação de linhas de ônibus eficientes nos bairros até as estações de metrô deixando a população muito isolada”, critica Robinson.

    O parlamentar disse que apesar de ainda não ter uma decisão formal sobre a sua pré-candidatura, o ambiente com os vereadores da bancada tem sido de muito diálogo. “Eu tenho uma relação política com todos os vereadores, com Suíca, com Thiago Ferreira e com Marta Rodrigues. Eles são meus companheiros de PT de muito tempo, então nós temos essa identidade da convivência partidária e isso reflete também em um carinho recíproco que nós nutrimos, que é fruto da nossa convivência dentro do partido”.

    Questionado sobre a possibilidade de eventualmente o seu nome não encabeçar uma chapa do grupo político do governo do estado na capital baiana em 2024 e lhe for oferecida a posição de vice em alguma chapa de um partido aliado, Almeida argumenta que este não é o momento para se pensar essas composições, mas de as legendas que integram a base do governador apresentar os seus nomes para o grupo poder decidir.

    “Eu acho legítimo que todos os partidos que compõe a base do governador possam almejar a candidatura do grupo aqui nas eleições de 2024. Então, tem nomes do PCdoB, tem nomes do PSB, do MDB e tem nomes do PT. É natural nesse fase que cada partido tenha a sua reivindicação pra que a gente construa assim. O debate hoje é um debate sobre a liderança desse processo. Vamos aguardar a condução do governador Jerônimo e vamos ver o desdobramento aí dessa movimentação e articulação política que ao final deve assegurar uma unidade no grupo pra enfrentar e derrotar o atual prefeito”, finaliza Robinson Almeida.