Lira ameaça não votar Mover após Senado excluir ‘taxa das blusinhas’

    O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) disse, que com as modificações, o novo texto "ficou bastante confuso"

    Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

    A exclusão da “taxa das blusinhas” do projeto do Mover, programa para descarbonização do setor automotivo, foi duramente criticada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), nesta terça-feira (4). Lira afirmou que, caso o Senado altere o texto que foi negociado, o projeto do Mover “tem sérios riscos de cair junto”.

    Diante dessas modificações, membros da oposição e da base aliada de Lula no Senado concordaram em adiar a votação para quarta-feira (5). Lira disse, que com as modificações, o novo texto “ficou bastante confuso”.

    O imposto sobre compras internacionais de até US$ 50 havia sido acordado pelo governo Lula (PT) com os deputados federais. “Não sei como é que os deputados vão encarar uma votação que foi feita por acordo, se ela retornar à Câmara. Eu acho que o Mover tem sérios riscos de cair junto e não ser votado mais na Câmara. Isso eu penso de algumas conversas que eu tive”, disse.

    O relator do Mover, senador Rodrigo Cunha (Podemos-AL), removeu da proposta, além das blusinhas, o trecho da autonomia do governo na política nacional de petróleo. As mudanças foram feitas nesta terça, dia em que também era prevista a votação do texto no plenário do Senado.

    Esses acréscimos são chamados de “jabutis”, dispositivos sem relação com o texto inicial. Mais cedo, Cunha havia anunciado que a “taxa das blusinhas” seria retirada “por ser um corpo estranho, uma artimanha legislativa”.

    Líder governista, Jaques Wagner (PT-BA), defendeu trabalhar até esta quarta para dar andamento à votação do texto. Mesmo defensores da derrubada dos jabutis, como Rogério Marinho (PL-RN) e Omar Aziz (PSD-AM), entenderam ser melhor adiar a votação. “Acho mais sensato, uma vez que o relator modificou o texto”, disse Marinho, que é líder da oposição.

    Já Lira afirmou ainda que não pode responder pela ação de parlamentares da outra Casa, mas disse que conversou com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), sobre o tema e ouviu dele que senadores estão discutindo o que poderá ser feito a respeito da modificação.