Lira ganha apoios para reeleição na Câmara ao defender orçamento secreto

    O presidente da Câmara arregimenta cada vez mais adesões, embalado pela distribuição do orçamento secreto

    Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

    O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), é hoje favorito à reeleição, a partir de fevereiro de 2023. Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, até agora, o deputado já reúne apoios que extrapolam o núcleo duro do Centrão, formado por PP, PL e Republicanos, e podem chegar à casa dos 400 votos.

    Lira arregimenta cada vez mais adesões, embalado pela distribuição do orçamento secreto – com previsão de R$ 19,4 bilhões para 2023 – e por um discurso de defesa das prerrogativas da Câmara.

    De acordo com a publicação, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, pediu ao PT que não lance candidato próprio para enfrentar Lira, até agora um aliado do presidente Jair Bolsonaro.

    Na avaliação de Lula, não é prudente desafiar um presidente da Câmara que tem domínio sobre os seus pares. Até mesmo a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que fura o teto de gastos para pagar o novo Bolsa Família de R$ 600 e o aumento do salário mínimo têm entrado nas negociações de Lira com o futuro governo, em busca de votos.

    O petista não quer repetir o que houve em 2015, quando o partido decidiu brigar com o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, à época no MDB, e fez campanha para o petista Arlindo Chinaglia. No fim daquele ano, Cunha aceitou o pedido de impeachment de Dilma Rousseff (PT).