Lula avalia desidratar pasta de Múcio e transferir projeto de infraestrutura ao Centrão

    Programa Calha Norte, 'queridinho' dos parlamentares pelo potencial de emendas deve parar no 'colo' da pasta da Integração e do Desenvolvimento Regional

    Foto: Waldemir Barreto/ Agência Senado

    O governo federal, com vistas em fortalecer a aliança com os partidos denominados de centro e, consequente nível de governabilidade, negocia transferir do Ministério da Defesa, para o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, hoje nas mãos do Centrão, o projeto Calha Norte, “queridinho” dos parlamentares para a destinação de emendas. O projeto foi alocado na Defesa em 1985, pelo ex-presidente José Sarney, e nunca saiu de lá.  Hoje, a pasta da Defesa é comandada pelo petebista José Múcio Monteiro, cota pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto o ministério de Integração Social é comandado pelo pedetista, ex-governador do Amapá, Waldez Góes, indicado ao cargo pelo senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

    Originalmente, o Calha Norte era voltado ao financiamento de infraestrutura para proteção e povoamento das fronteiras, para manter a soberania e integridade territorial. Mas o projeto foi expandido ao longo dos anos por interesses políticos — e hoje embala a construção de moradias até no Maranhão, que não faz fronteira terrestre com nenhum outro país.

    Considerado uma espécie de “líder informal” do governo Lula no Senado, Alcolumbre é tido como principal padrinho de emendas parlamentares no Calha Norte.

    A transferência de comando do programa está praticamente acertada, mas, conforme o Estadão, ainda não foi formalizada no Diário Oficial da União.

    O ministro da Defesa, José Múcio, por sua vez, não seria empecilho para o presidente. Ao contrário. Diante do “potencial de confusão”, em um berço de emendas parlamentares, Múcio prefere manter distância do projeto de infraestrutura tido como “queridinho” dos parlamentares, afirmam interlocutores da Esplanada.