Lula chama Bolsonaro de ‘sabidinho’ que não aceitou resultado das eleições e quis golpe

    A declaração do presidente se dá no terceiro dia de julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode tornar o ex-presidente inelegível

    Foto: Reprodução/YouTube

    No dia em que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pode ficar inelegível, o presidente Lula (PT) afirmou que ele era um “sabidinho” e um “cidadãozinho” que quis dar um golpe de Estado por não aceitar o resultado das eleições.

    A declaração do presidente se dá no terceiro dia de julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode tornar o ex-presidente inelegível. Discursos antidemocráticos do ex-presidente foram considerados no voto do relator da ação, ministro Benedito Gonçalves.

    “Não tivemos um cidadão aqui, um sabidinho que não quis aceitar o resultado eleitoral? Não tivemos um cidadãozinho aqui que quis dar golpe no dia 8 de janeiro? Tem gente que não quer aceitar o resultado eleitoral”, afirmou Lula à Rádio Gaúcha, acrescentando que ele foi derrotado por Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso e aceitou o resultado dos pleitos.

    O presidente deu entrevista na manhã desta quinta-feira à principal emissora de rádio do Rio Grande do Sul e vai visitar o estado nesta sexta-feira (30), onde cumpre agenda em Porto Alegre e em Viamão.

    As falas contra Jair Bolsonaro, segundo a Folha de S.Paulo, foram proferidas no momento em que o presidente era questionado sobre por que ele e demais integrantes do seu governo não reconheciam que o regime de Nicolás Maduro, na Venezuela, não era uma democracia.

    Lula então ressaltou que aquele país teve mais eleições que o Brasil nos últimos anos. Em seguida, desviou o foco e passou a falar da política interna brasileira e dos atos golpistas de 8 de janeiro. Então passou a criticar Bolsonaro, embora sem citá-lo nominalmente.

    Ao defender o regime e Maduro, o presidente criticou o que chamou de tentativa de interferência de outros países na Venezuela. E disse que quem quiser derrubar o ditador venezuelano deve derrotá-lo nas próximas eleições.

    “As pessoas precisam aprender a respeitar o resultado das eleições. O que não está correto é interferência de um país dentro de outro país. O que fez o mundo tentando eleger o Guaidó presidente da Venezuela, um cidadão que não tinha sido eleito, se a moda pega não tem mais garantia na democracia e garantia do mandato das pessoas”, afirmou.

    “Quem quiser derrotar o Maduro, derrote nas próximas eleições. Agora vai ter eleições. Derrota e assuma o poder. Vamos lá fiscalizar. Se não tiver uma eleição honesta, a gente fala”, completou.

    Lula também disse ter acertado com Maduro o pagamento da dívida venezuelana com o Brasil.