Lula cita revoltas populares do Brasil e diz que PT ‘vai polarizar em 2022’

    Ex-presidente afirmou que só polariza "quem disputa o título" e defendeu estudo de levantes nacionais: "Nós não somos aquilo que eles falam"

    Foto: Ricardo Stuckert/PT

    O ex-presidente Lula voltou a defender um levante contra o governo Bolsonaro e ironizou as críticas feitas à chamada “polarização” na política, em discurso nesta quinta-feira (14), na reunião da executiva nacional do PT, em Salvador.

    Segundo o petista, a sigla “polarizou” nas eleições presidenciais anteriores e essa é a tendência também no próximo pleito.

    “Sabe quem polariza? Quem disputa o título. O PT polarizou em 89, 94, 98, 2002, 2006, 2010, 2014 e 2018. E vai polarizar em 2022. […] Não tem partido nacional como o PT. Se o PT tiver um candidato à altura, vai polarizar. Todo ano inventam um candidato. Agora vai ser o ‘Caldeirão do Huck’, vai ser o Dória. Podem inventar quem eles quiserem. Eles não conseguirão tirar o PT da disputa eleitoral desse país. O partido só cresce se ele disputa”, afirmou.

    De acordo com Lula, o povo brasileiro sabe pouco sobre “a história das nossas rebeliões”. “Às vezes, eu penso que a nossa esquerda, e não por culpa da nossa esquerda, conhece muito mais sobre os heróis da Revolução Russa, da Revolução Cubana, da Revolução Inglesa, do que os nossos heróis”, discursou.

    Em sua fala, Lula chegou a citar que morreram 40 mil pessoas na Cabanagem, revolta popular ocorrida na antiga província do Grão-Pará  no Império.

    “Nós não somos aquilo que eles falam: ‘ah, o Brasil é um povo pacífico’. Os acordos sempre foram feitos depois das matanças daqueles que queriam fazer as mudanças de verdade nesse país. E o PT tem que ter consciência que queremos fazer mudanças de verdade”, disse.

    Ao falar sobre as eleições municipais, o ex-presidente defendeu que a sigla deve trabalhar por candidaturas próprias.

    Além disso, exaltou os correligionários Jaques Wagner e Rui Costa por “acabarem com a fama dos ACMs” na Bahia, em referência às quatro vitórias seguidas do PT na disputa pelo governo do Estado.

    O ex-presidente voltou a criticar a Lava Jato, ao afirmar que a operação quis julgar o seu mandato. Sobre o atual governo, Lula disse que “eles não querem deixar pedra sobre pedra”. “Querem que não se saiba nada do que fizemos daqui a alguns anos”, completou.