O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) condenou países que dificultam o trabalho da Organização Mundial da Saúde (OMS). A declaração foi feita nesta quarta-feira (26), durante a reunião dos sherpas do Brics, em Brasília.
Lula destacou que crises sanitárias, como a da Covid-19, evidenciam a necessidade de um tratado internacional de saúde pública. Ele também ressaltou a importância de fortalecer a OMS para garantir o acesso equitativo a vacinas e medicamentos em todo o mundo.
“A falta de consenso sobre o Tratado de Pandemias, mesmo após crises como a Covid-19 e a Mpx, revela a desunião da comunidade internacional diante de ameaças graves”, afirmou.
“Minar o trabalho da OMS é um erro de grandes consequências. Reforçar a estrutura global de saúde, com a OMS no centro, é essencial para assegurar o acesso justo a medicamentos e vacinas, fundamentais para o desenvolvimento sustentável dos países”, completou Lula.
A fala do presidente ocorreu após os Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, anunciarem a retirada do país da OMS em 20 de janeiro. À época, a organização lamentou a decisão, lembrando que os EUA são um dos membros fundadores e que suas instituições sempre se beneficiaram da filiação.
Lula também criticou governos que operam sob a “lei do mais forte”. Segundo ele, esse tipo de abordagem representa um risco à estabilidade global.
“Apostar no caos e na imprevisibilidade afasta os países dos compromissos coletivos que a humanidade precisa assumir urgentemente. Negociar com base na força é um caminho perigoso para a instabilidade e a guerra. Diante da polarização e do risco de fragmentação, a defesa do multilateralismo é a única alternativa viável”, declarou.
O encontro dos sherpas do Brics ocorre nesta semana no Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores. A reunião reúne enviados especiais dos chefes de Estado dos países-membros para definir as pautas que serão discutidas na Cúpula de Líderes, programada para 6 e 7 de julho, no Rio de Janeiro.
O embaixador Maurício Carvalho Lyrio, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty e sherpa do Brasil no Brics, presidiu a reunião, que abordou temas como saúde global, mudanças climáticas, comércio, finanças e governança da inteligência artificial.
Atualmente, o Brics é formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, além dos novos integrantes: Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irã. Também participaram do encontro embaixadores de Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda e Uzbequistão.
O Brasil assume a presidência do Brics até 31 de dezembro de 2025, com o lema: “Fortalecendo a Cooperação do Sul Global para uma Governança mais Inclusiva e Sustentável”.

