Lula diz que Brasil não pode se conformar com mortes de mulheres

    Presidente falou em rede nacional no Dia Internacional da Mulher e anunciou medidas contra violência

    Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão na noite de sábado (7), em referência ao Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8). Durante o discurso, o chefe do Executivo destacou a gravidade da violência contra mulheres no país e defendeu mudanças nas relações de trabalho, incluindo o fim da escala 6×1.

    Segundo Lula, os números da violência de gênero no Brasil são alarmantes. “A cada seis horas, um homem mata uma mulher no Brasil. Cada feminicídio é resultado de uma soma de violências diárias, silenciosas e naturalizadas. A maioria esmagadora dessas agressões acontece dentro de casa, no ambiente que deveria ser de proteção”, afirmou.

    O presidente também ressaltou que, apesar do endurecimento das penas para o crime de feminicídio — que podem chegar a 40 anos de prisão — os casos ainda continuam acontecendo. “Mesmo com o agravamento da pena, homens continuam agredindo e matando mulheres. Não podemos nos conformar”, declarou.

    Fim da escala 6×1

    Outro ponto abordado no pronunciamento foi o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1, modelo em que o trabalhador tem apenas um dia de descanso após seis dias consecutivos de trabalho. Para Lula, a mudança pode trazer benefícios especialmente para as mulheres, que muitas vezes acumulam jornada profissional e responsabilidades domésticas.

    “É preciso avançar no fim da escala 6×1, que obriga a pessoa a trabalhar seis dias por semana e ter apenas um dia de folga. Está na hora de acabar com isso. Isso significará mais tempo com a família, mais tempo para estudar, descansar e viver. Essa é uma pauta da mulher brasileira”, afirmou.

    Combate ao assédio online

    Durante o discurso, o presidente também mencionou medidas que o governo prepara para enfrentar o assédio online. Ele destacou que, a partir de 17 de março, entra em vigor o chamado Estatuto Digital das Crianças e Adolescentes, que prevê novas obrigações para plataformas digitais.

    A legislação determina que empresas de tecnologia adotem mecanismos capazes de impedir que menores de idade tenham acesso a conteúdos ilegais ou inadequados.

    Pacto contra o feminicídio

    Ao final do pronunciamento, Lula reforçou a necessidade de mudanças estruturais para garantir mais segurança e igualdade às mulheres. “O Brasil que queremos não é um país onde as mulheres apenas sobrevivam. É um país onde elas possam viver em segurança, com liberdade para se divertir, trabalhar, empreender e prosperar”, disse.

    O presidente também citou ações do Pacto Nacional – Brasil contra o Feminicídio, iniciativa que reúne medidas dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Entre elas está um mutirão coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública em parceria com governos estaduais para cumprir mais de dois mil mandados de prisão contra agressores.

    “Violência contra a mulher não é questão privada onde ninguém mete a colher. É crime. E vamos, sim, meter a colher”, concluiu.