Lula prevê acordo com Trump e manda recado aos EUA

    Em entrevista ao Jornal Nacional, presidente defendeu negociação comercial, mas não descartou aplicar a Lei da Reciprocidade

    Foto: Reprodução/TV Globo

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou que espera chegar a um acordo comercial com os Estados Unidos, liderados por Donald Trump. Em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, nesta quinta-feira (15), o petista reconheceu que a relação entre os dois países começou sob tensão, mas classificou o diálogo com o presidente norte-americano como o mais civilizado que já manteve com um chefe de Estado.

    “Eu disse ao Trump que era importante que dois homens de 80 anos tivessem o juízo e se entendessem, porque não era possível a gente ficar passando desavença entre as duas maiores democracias do Ocidente. Ele concordou comigo”, declarou Lula.

    O presidente afirmou que já teve três conversas com Trump, sendo a última por telefone, com duração de quase uma hora e meia. Segundo ele, integrantes do governo brasileiro também mantêm negociações com representantes norte-americanos para tentar resolver as divergências comerciais.

    “Eu liguei para ele para reclamar do comportamento do Conselho de Segurança da ONU, e nós estamos negociando. Essa semana mesmo, o meu ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, e o meu ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, estiveram negociando com os Estados Unidos. Eu acho que nós vamos chegar num acordo”, afirmou.

    Lula cita avanço comercial com outros países

    Durante a entrevista, Lula reconheceu a existência de problemas na relação comercial com os Estados Unidos, mas argumentou que o Brasil ampliou suas relações econômicas com outros mercados.

    “Embora a gente tenha perdido 9% na relação comercial com os Estados Unidos, nós crescemos 20% com a China, crescemos 15% com a Indonésia, 16% com a Alemanha, 13% com o Vietnã, e crescemos em 50 países que nós visitamos, em média, 10,5% a mais”, disse.

    Na sequência, o presidente mencionou os resultados da balança comercial brasileira e afirmou que os Estados Unidos também têm motivos para se preocupar com os rumos da relação bilateral.

    “Outra vez, nós batemos recordes de superávit comercial. Então, quem deve estar preocupado conosco nesse momento são os Estados Unidos”, declarou.

    Presidente não descarta Lei da Reciprocidade

    Lula também afirmou que não pretende recorrer, neste momento, à Lei da Reciprocidade Econômica, instrumento que permite ao Brasil adotar contramedidas diante de determinadas ações unilaterais de outros países, observadas as condições legais. “Não quero fazer, eu quero continuar negociando”, afirmou o presidente.

    Apesar de defender a continuidade do diálogo, Lula não descartou a possibilidade de aplicar a legislação caso as negociações não avancem. “Se for necessário fazer, nós vamos fazer, e eu acho que eles vão ter problema conosco. Por quê? Porque nós temos coisas que eles precisam mais do que coisas que eu preciso dele”, concluiu.