Lula, Temer e quatro ex-governadores presos. Resolve a corrupção? É pouco

    Sinais de um tempo novo? Em parte sim. Mas daí a achar que como num passe de mágica o Brasil chutou a corrupção, se com boa fé, é ingenuidade

    Foto: Click Catarina
    Foto: Click Catarina

     

    Há algo de novo na cena brasileira. Parte da podridão que sempre permeou o jogo está exposta e produziu um momento único na história: dois ex-presidentes presos, Lula e Michel Temer; quatro ex-governadores (Sérgio Cabral, Pezão e Moreira Franco, do Rio, e Beto Richa, do Paraná) idem.

    Sinais de um tempo novo? Em parte sim. Rompe-se aquela velha tradição do ‘roubaram, roubaram, roubaram e viveram felizes e felizes para sempre’. Mas daí a achar que como num passe de mágica o Brasil chutou a corrupção, se com boa fé, é ingenuidade.

    De cabo a rabo

    Com a ressalva de que política não é a atividade mais descarada, apenas a mais escancarada, convém lembrar que a corrupção aculturou-se na vida nacional de cabo a rabo. Rouba-se de carro pipa carregando água para atender aos sedentos da seca a remédios para quem está na UTI.

    No imbróglio entre os que merecem punição e os agentes punidores também há sua banda podre garantindo a felicidade dos amorais. Veja você a CPI da Lava Toga aprovada no Senado, com a pretensão de escarafunchar as mazelas da Justiça: como, se entre os senadores (os julgadores) grande parte é ré?

    E o que esperar de um governo cujo comandante evoca uma ideologia do arco da velha para posar como o novo?

    Oxalá os nossos ilustres prisioneiros sejam a ponta do novelo. Mas há uma longa estrada a desfiar. Por agora, é mais jogo de cena.