Maia: ‘Se as vidas vão atingir a atividade econômica, precisamos priorizar as vidas’

    "Primeiro, o que vale é a vida", ressaltou presidente da Câmara dos Deputados

    Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

    O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), rebateu as críticas feitas pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), pelo impacto na economia de medidas duras que governadores têm adotado no combate ao coronavírus.

    “Se olharmos o exemplo dos outros países, as restrições estão até pequenas. Os países que restringiram mais rápido sentiram menos os efeitos do vírus. A pergunta é: vale, pela garantia da atividade econômica, a perda de vidas? Essa é a pergunta que a gente tem que fazer. Do meu ponto de vista, não. A prioridade são as vidas. Se as vidas vão atingir a atividade econômica, precisamos priorizar as vidas. Até porque, se essa crise entrar com muita força no Brasil, as pessoas vão para casa do mesmo jeito. As pessoas estão vendo, nos outros países, que para sobreviver ao vírus, é preciso ficar em casa. Primeiro, o que vale é a vida. Na economia, o Estado tem condições de garantir a estrutura mínima de sobrevivência do setor produtivo e, junto com os governadores, construir as soluções”, disse em entrevista ao jornal O Globo.

    Questionado sobre a decisão do governo de pedir a decretação de calamidade pública, o presidente da Câmara disse apoiar a iniciativa e prometeu celeridade na tramitação da matéria na Casa.

    “Eu sempre defendi a ampliação dos gastos públicos, que a única saída para enfrentar a crise era com recursos públicos. O governo toma a decisão correta. Deve encaminhar esse decreto para o Congresso Nacional, que de forma urgente vai tramitar e aprová-lo para que o governo tenha espaço fiscal para poder realizar os investimentos necessários para o enfrentamento dessa crise”, ressaltou.

    Diálogo com Bolsonaro 

    Sobre o diálogo com Bolsonaro, Maia minimizou as recentes rusgas que teve com o presidente.

    “Acho que a gente não deve ficar olhando os momentos onde a gente fica mais nervoso e acaba cometendo erros. O que estamos alertando, e que pode acontecer no Brasil, é porque estamos acompanhando essa crise na Itália, na China, na França, na Espanha, agora na Grã-Bretanha, que era um país que estava numa linha parecida com a do Brasil e inverteu completamente — caminhando para restringir circulação, colocando 15% do PIB na economia. O que estamos fazendo, nada mais é do que analisando a realidade, os impactos do vírus na saúde dos brasileiros e também na vida econômica e social. Nós vamos ter uma crise de emprego, certamente, e uma crise que vai atingir os brasileiros mais vulneráveis. Nós vamos às ruas nas nossas bases toda semana, mas temos a recomendação do ministro da Saúde para evitar aglomerações”, destacou.