Maioria das vítimas da vassoura de bruxa é quem forma a dívida do extinto Baneb

    O Baneb foi vendido ao Bradesco em 1999 por R$ 260 milhões. Mas os créditos que tinha, ou a banda podre, de devedores quebrados, ficaram com o governo

    Frase da vez

    “A bondade é o único investimento que nunca vai à falência”

    Henry David Thoreau (1817-1862)

    Foto: Divulgação
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    O projeto que o governo mandou para a Assembleia estabelecendo critérios para devedores do extinto Baneb já é a quarta tentativa de encontrar uma saída para um problema complicado.

    O Baneb foi vendido ao Bradesco em 1999 por R$ 260 milhões. Mas os créditos que tinha, ou a banda podre de devedores quebrados, ficaram com o governo, que repassou o pepino para o Fundo de Desenvolvimento Social e Econômico (Fundese) e a Desenbahia.

    Falidos

    Os outros planos até surtiram algum efeito. O número de devedores era de 41 mil. Restaram 15 mil, a maior parte de cacauicultores que quebraram com a vassoura de bruxa, a praga que devastou os cacauais baianos nos anos 90, pendurados também em outros bancos oficiais, como BNB e Banco do Brasil.

    Os produtores estimam que a dívida chega a R$ 1 bilhão, impagável.

    Ewerton Almeida, o Tom, ex-deputado, um dos devedores, cujas propriedades são alvo de pendengas judiciais, é taxativo:

    — Ninguém paga porque é caloteiro não. É porque não tem dinheiro mesmo. Porque faliu com a vassoura de bruxa.

    O fenômeno da vassoura de bruxa, relata Tom, além de aniquilar a economia cacaueira, ainda deixou essa herança maldita:

    — Quarta-feira passada foi o Dia do Cacau. Antes, era só festa. Agora, só protesto. Nós nunca fomos olhados com o respeito que merecemos. Somos vítimas.