Mandetta, que caiu por ciúme, sai e deixa Bolsonaro com seus panelaços

    Mandetta ganha lugar de destaque na história da República: único ministro que caiu porque, diante de uma crise grave, agiu certo

    Foto: Carolina Antunes/PR
    Foto: Carolina Antunes/PR

     

    Deputado federal pelo DEM do Mato Grosso, no segundo mandato, Luiz Henrique Mandetta ganhou lugar de destaque na história da República: foi o único ministro que caiu porque, diante de uma crise grave, agiu certo.

    Já viu isso? Na era Bolsonaro tem. Mandetta é o sexto ministro a cair, mas no caso em apreço, a derrota é para o próprio Bolsonaro, que consagra outro princípio já anotado pelo mundo político: a total falta de lealdade com os que foram leais a ele de primeira hora. Ganhou um panelaço pela demissão.

    Neto

    Presidente nacional do DEM, ACM Neto saiu em socorro do amigo. Qualificou o trabalho dele como exemplar, conduzindo o combate ao corona conforme os rigores científicos (tudo que Bolsonaro não quer). E assinalou:

    — Não temos dúvidas de que Mandetta ainda contribuirá muito para a vida nacional.

    Nos bastidores, a coisa fervilha muito mais. Dizem que Bolsonaro joga um jogo perigoso, mexe num time que está ganhando num jogo de vida ou morte. Literalmente. E isso pode lhe custar caro, até porque ele não tem o direito de usar o poder para atentar contra a segurança da saúde pública. E coroa a cereja do bolo demitindo um ministro por ciúme.

    Diz-se é que Bolsonaro começou a descer a ladeira num caminho sem volta. Chuta os políticos (até os amigos próximos), está sem partido e agora assume uma postura contrária ao sentimento coletivo mundial, e também o nosso. Do jeito que vai, em 2022 estará do tamanho exato do Gabinete do Ódio.