Publicado em 27/07/2026 às 11h28.

Mansur ironiza favoritismos e desafia Jerônimo a apoiá-lo no segundo turno

Candidato minimizou polarização na Bahia e criticou gestões na Segurança e na Saúde

Pevê Araújo
Foto: Reprodução/Instagram

 

Em entrevista exclusiva ao bahia.ba, o candidato ao governo da Bahia, Ronaldo Mansur (PSOL), fez duras críticas à condução das políticas públicas do estado. O postulante defendeu uma reformulação nas áreas de segurança, saúde e educação, além de criticar as posturas do atual governador e de lideranças da oposição.

Ao projetar a continuidade da disputa pelo Palácio de Ondina, Mansur ignorou a polarização entre o governador Jerônimo Rodrigues (PT) e o oposicionista ACM Neto (União Brasil), e cobrou um posicionamento claro de seus adversários.

“Sobre o segundo turno, tem que perguntar ao ACM Neto e ao Jerônimo Rodrigues quem é que eles apoiariam no segundo turno”, disparou o candidato. Ele sinalizou a expectativa de receber a adesão do atual chefe do Executivo baiano em uma eventual nova rodada de votação, cobrando reciprocidade.

“A gente espera que o Jerônimo nos apoie no segundo turno. Agora essa pergunta tem que ser feita também a ele, não apenas ao PSOL”, disse.

A viabilidade da candidatura de Mansur virou tema de debate nacional após a agenda de Guilherme Boulos na Bahia.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência afirmou publicamente não ter conhecimento sobre a candidatura própria do PSOL no estado e declarou que a orientação do campo da esquerda deve ser o apoio à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT) no plano estadual.

Integração Social na Segurança Pública

Ao tratar dos índices de criminalidade, o candidato apontou a falta de assistência social como a raiz dos problemas enfrentados pelo estado. Mansur criticou as últimas décadas de gestão na Bahia, associando o cenário atual tanto ao grupo político de ACM Neto quanto à herança carlista.

“Por todos esses 50 anos que aí está a ausência de uma política séria e uma continuidade de políticas da era carlista, do grupo de ACM Neto, que também não tem moral para falar de nada, por todos esses problemas é que a Bahia hoje herda a criminalidade tomando conta do Estado”, disparou.

Como alternativa, ele defendeu que a segurança pública atue em conjunto com outras pastas fundamentais.

“A gente tem que ter a escola, a arte, a saúde, educação, o esporte, cultura, lazer como um braço auxiliar e principal da segurança pública. Porque se a gente não tem saúde, educação, emprego, renda, esporte, cultura, arte e lazer, a gente vai ter um problema social”, argumentou.

Infraestrutura e Valorização Policial

O candidato também mirou as condições de trabalho das forças policiais das corporações civil e militar, classificando-as como precárias desde gestões passadas. Ele cobrou o cumprimento de promessas de campanha da atual gestão que, segundo ele, não foram executadas.

“O governo fez uma promessa de campanha que não cumpriu: câmeras nas fardas dos policiais. E não cumpriu. Hoje, menos de dois mil policiais usam câmeras nas fardas”, apontou Mansur, ressaltando o baixo investimento em inteligência e o reduzido efetivo de investigadores na Polícia Civil.

“É inadmissível que uma delegacia de polícia em um bairro com mais de 300 mil moradores tenha dois policiais investigadores apenas, como temos exemplos em Salvador.”

Mansur também cobrou a aquisição de viaturas blindadas para o policiamento ostensivo. “É inadmissível que policiais enfrentem criminosos bem armados com carros sem serem blindados. Pergunta se o carro do governador é blindado ou não. Óbvio que é. Mas aqueles que enfrentam o dia a dia a criminalidade não têm carro blindado”, criticou.

Críticas à Saúde e Fila da Regulação

A infraestrutura hospitalar e o sistema de atendimento foram outros alvos do candidato, que contestou o embate político em torno de quem construiu mais unidades de saúde no estado.

“O governador fica aí na competição Ba-Vi com ACM Neto de quem construiu mais hospitais, mas pergunta se um dos dois frequenta os hospitais públicos. Parece até que é mil maravilhas”, ironizou.

Mansur denunciou a precariedade no acolhimento de pacientes e acompanhantes, além de fazer duras críticas à transparência da fila da regulação em solo baiano.

“A fila da regulação é uma vergonha, virou um negócio político onde as pessoas fazem política com a regulação. A imensa maioria não consegue e tem que recorrer a um vereador, a um secretário, a um prefeito. Não existe nenhuma transparência, é zero.”

Ele também se posicionou de forma contrária aos modelos de concessão vigentes na rede estadual.

“Terceirizar, privatizar os serviços dos hospitais públicos é uma vergonha. Tantos anos os trabalhadores e sindicalistas lutaram contra a exploração do povo trabalhador, e esse governo terceiriza e dá continuidade às políticas de terceirização”, declarou, citando relatos de atrasos salariais entre profissionais de saúde.

Educação e Valorização dos Professores

Na área educacional, Ronaldo Mansur criticou a postura do governador frente à categoria dos docentes, mencionando episódios recentes de desgaste entre a gestão e os servidores da educação.

“O que nós faríamos de diferente em relação ao governo petista? Primeiro é tratar os professores com respeito. Chamar professores de ‘autoritários’ porque reprovam alunos por não terem conseguido uma média mínima é um tremendo desrespeito vindo também de um professor, como é o atual governador”, afirmou.

O postulante questionou os índices de desempenho escolar utilizados em propagandas institucionais e defendeu a aplicação integral do piso salarial dos professores.

“Aprovar estudantes apenas por aprovar, para ter um índice de aprovação para as suas propagandas, não é cuidar do baiano e da baiana. É apenas ter números para fazer propaganda política. É preciso que os professores sejam valorizados, que o piso seja pago, e que não deixem o dinheiro rendendo na conta para os seus projetos políticos”, concluiu Mansur.

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