Maragogipe, o fechamento do Estaleiro virou uma tragédia: 148 assassinatos

    Cidade viu hotéis fecharem, a arrecadação municipal despencar em mais de R$ 5 milhões por mês, programas sociais serem suprimidos e a miséria voltar com toda força

    Frase da vez

    “A vida é um sonho para o sábio, um jogo para o tolo, uma comédia para o rico e uma tragédia para o pobre”
    Sholem Aleichem, escritor ucraniano (1859-1916).

     Carla Ornelas/ GOVBA
    Carla Ornelas/ GOVBA

     

    Mararogipe, cidade histórica do Recôncavo baiano, viu hotéis fecharem, a arrecadação municipal despencar em mais de R$ 5 milhões por mês, programas sociais serem suprimidos e a miséria voltar com toda força após o fim das obras do Estaleiro Enseada do Paraguaçu, que pretendia construir plataformas para a exploração de petróleo em águas profundas, o pré-sal, parado até hoje em conseqüência da Lava Jato, que travou a empreiteiras Odebrecht.

    Agora vem a parte mais pesada da conta. Além de fazer de São Roque um povoado fantasma, o fechamento do Estaleiro fez muito mais mal a Maragogipe do que a perda de dinheiro: o número de assassinatos de jovens entre 2013 e agosto deste ano sobe a estrondosos 148.

    Lá se diz que a guerra de duas facções do tráfico de drogas, a Catiara e a BDN, roubou a cena. São as duas que mandam no pedaço, com direito a ditar quem vive e quem morre.

    A cidade está apavorada.