A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de Silva de acomodar um partido do Centrão no Ministério de Portos e Aeroportos não tem sido das mais fáceis. Quando ele achou que tudo estava apaziguado, resolvido, uma crise se instala no PSB, por conta da contrariedade do atual titular da pasta, o ministro Márcio França, que não se conformou com a rearrumação do mandatário em relação ao seu posto. Diante disso, Lula pediu ao vice Geraldo Alckmin para resolver o impasse com o aliado antes da reunião do PSB com ele, marcada para esta terça-feira (5). O presidente quer definir a situação do partido na Esplanada nas próximas horas.
França, conforme o Estadão, não escondeu a irritação com o aviso prévio e disse, em conversa a portas fechadas, que preferia deixar o governo a assumir o novo ministério da Pequena e Média Empresa, anunciado por Lula na semana passada. Ao que tudo indica, porém, essa 38.ª pasta não sairá do papel, ao menos por enquanto, porque nem França nem o Centrão estão interessados nela.
Contudo, Lula já acertou a entrega do Ministério de Portos e Aeroportos para o deputado Sílvio Costa Filho, vice-presidente do Republicanos, partido que integra o Centrão. Pernambucano, Costa Filho é aliado de Lula, mas a maior parte do Republicanos apoiou a frustrada tentativa do então presidente Jair Bolsonaro (PL) de se reeleger.
Para fechar a reforma ministerial, Lula depende, agora, de um acerto com França, justamente o homem que ajudou a aproximá-lo de Alckmin, no ano passado. À época, a chapa dos dois históricos adversários políticos ficou conhecida como Lula com Chuchu, apelido de Alckmin. França também desistiu da disputa ao Palácio dos Bandeirantes, a pedido de Lula, e emplacou sua mulher, Lúcia, como vice na chapa de Fernando Haddad, hoje ministro da Fazenda.
Quatro anos depois, Alckmin deixou o partido ao qual estava filiado há mais de três décadas, migrou para o PSB e se aliou ao PT que tanto criticou.
O objetivo de França, atualmente, é concorrer ao governo de São Paulo, em 2026. Com esse plano na cabeça, o ministro não se conforma com a equação política montada por Lula para entregar a um deputado do Republicanos o Ministério de Portos e Aeroportos.
Embora Sílvio Costa Filho seja simpático ao Planalto, o Republicanos é justamente o partido do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, bolsonarista e adversário de Lula. Tarcísio avalia que a privatização do porto de Santos foi barrada por interesses políticos e classifica França, ex-prefeito de São Vicente, como um dos responsáveis por dificultar essas negociações.
Alckmin não quer ver o aliado fora do governo e tentará encontrar uma solução conjunta com ele, antes da conversa com Lula. O vice é também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e há quem diga no PSB que ele poderá até mesmo abrir mão da pasta sob sua alçada para oferecer ao amigo. Uma outra possibilidade nesse xadrez é transferir França para o Ministério da Ciência e Tecnologia, ocupado por Luciana Santos (PC do B).
O arranjo provocaria, no entanto, a saída de mais uma mulher do primeiro escalão. Para Luciana ser realocada no Ministério da Mulher, por exemplo – uma das opções cogitadas –, a atual titular da pasta, Cida Gonçalves, teria de ser defenestrada.

