Meio Ambiente saudável depende de grana, mas não é só isso. A estrada até lá é longa

    "A questão não é o PIB. É também a distribuição da renda. Não adianta arrecadar muito e conviver com bolsões de miséria"

    Foto: Carolina Gonçalves/Agência Brasil
    Foto: Carolina Gonçalves/Agência Brasil

     

    O rico município de São José dos Campos, em São Paulo, tão rico que só no mês passado arrecadou R$ 2,6 bilhões, um terço do orçamento anual de Salvador (R$ 7,7 bilhões), é uma raridade no país em matéria de saneamento: trata 100% dos seus resíduos sólidos e também tem 100% de cobertura em esgotos.

    Mas há um detalhe: para se chegar a esse patamar, o dinheiro não é tudo. Quem faz a ressalva é Wladimir Antonio Ribeiro, advogado, que também foi secretário de Assuntos Jurídicos lá, uma das maiores autoridades do país em consórcios públicos de resíduos sólidos e de saneamento básico, que ontem, na UPB, fez palestra a convite da Band News.

    — A questão não é o PIB. É também a distribuição da renda. Não adianta arrecadar muito e conviver com bolsões de miséria.

    No SUS

    Ou seja: riqueza e pobreza são antagônicos também em questões ambientais.

    A Comissão do Meio Ambiente da Assembleia realizou ontem amplo debate sobre o assunto na Bahia, também para celebrar o Meio Ambiente, quando o deputado José de Arimateia (PRB), o presidente, lembrou que 70% das internações no SUS decorrem da falta de saneamento básico.

    Noutras palavras, o ajuste, pela vasta complexidade, ainda vai demorar. Mas Wladimir viu algo positivo na Bahia: a divisão do estado em 19 regiões de saneamento.

    — É o primeiro estado do país a fazer isso.

    Ou seja, já estamos começando a engatinhar. É um alento.