Meirelles elogia Lula pela volta de imposto sobre combustíveis

    'Decisão prioriza a responsabilidade fiscal sobre o interesse eleitoreiro', afirmou o ex-ministro

    Foto: José Cruz/Agência Brasil

    Por meio das redes sociais, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (União Brasil) elogiou a decisão do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de retomar a cobrança do PIS/Cofins sobre os combustíveis. No entendimento do economista, a medida foi “absolutamente acertada ao priorizar a responsabilidade fiscal sobre o interesse eleitoreiro”.

    “Não prorrogar a isenção de impostos sobre combustíveis para 2023 é um exemplo de decisão que pode ser impopular, mas é absolutamente acertada ao priorizar a responsabilidade fiscal sobre o interesse eleitoreiro. Ao conceder essa isenção para forçar uma queda nos índices oficiais de inflação, o atual governo apenas buscou estancar a sangria de votos na campanha eleitoral. Não levou em consideração o peso que isso representaria para as contas dos estados. Muito menos o impacto no financiamento de diversos serviços para a população”, escreveu Meirelles na publicação.

    O presidente Jair Bolsonaro (PL) sancionou em 11 de março de 2022 um projeto que unificou e padronizou o ICMS sobre combustíveis. Opositores avaliaram a iniciativa, aprovada pelo Congresso, como ‘eleitoreira’, uma vez que ela visava frear o aumento nos preços da gasolina e do diesel no país.

    O texto também zerou as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel, biodiesel e gás de cozinha até o fim de 2022. Por conta da iniciativa, o governo Lula vai começar o ano com um déficit de R$ 231,5 bilhões. A retomada da cobrança do imposto servirá para o aumento de arrecadação.

    “A volta da cobrança dos tributos poderá ter como efeito o aumento da inflação logo no início da nova gestão. Mas ajudará a reduzir o déficit nas contas públicas e a reorganizar a economia do país. É importante que, gradativamente, haja novas sinalizações do futuro governo rumo ao equilíbrio fiscal. Se, em um primeiro momento, isso não atrai popularidade, levará a resultados mais sustentáveis na economia com maior crescimento. Será com a implementação de regras fiscais, com o corte de despesas desnecessárias que permitam recursos a programas sociais e de infraestrutura, que o país voltará a ganhar confiança para novos investimentos, gerando crescimento, mais empregos e renda aos brasileiros”, completou o ex-ministro.