Mensagens indicam que advogado de Bolsonaro monitorava Queiroz

    Queiroz foi preso na quinta (18), em imóvel na cidade de Atibaia de propriedade de Frederick Wassef, advogado de Jair e Flávio Bolsonaro

    Imagem: Reprodução/GloboNews

    Mensagens apreendidas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro indicam que Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, era monitorado por Frederick Wassef. Queiroz foi preso na última quinta-feira (18), em imóvel na cidade de Atibaia, em São Paulo, pertencente ao advogado de Jair e Flávio Bolsonaro.

    De acordo com informações da Folha de S.Paulo, os promotores que pediram a prisão de Queiroz notaram que Queiroz tentava omitir de Wassef quando saía do imóvel. O ex-assessor e seus familiares também desligavam seus telefone quando se aproximavam da casa, para evitar possível monitoramento das autoridades policiais.

    Mensagens de outubro de 2019, por exemplo, mostram a esposa de Queiroz pedindo à filha para informar a uma mulher de nome “Ana” que o casal estava a caminho de São Paulo. Em outra mensagem, a mesma mulher afirmou que não comentou com “Anjo” sobre a viagem do casal. O MP-RJ entende que aquele era o apelido de Wassef.

    Em julho de 2019, Queiroz mandou mensagens dizendo que precisaria desligar o telefone ao se aproximar da casa. No mês seguinte, ele indica em áudio o procedimento adotado.

    “Se tiver alguma coisa pra falar, fala por aqui [telefone de Márcia, esposa de Queiroz] ou por aquele telefone que tá com minha filha, tá bom? Quando eu entro na cidade em que eu tô, eu desligo os telefones”, disse ele. A mensagem foi destinada a “Heyder”.

    Queiroz é apontado pelo MP-RJ como operador financeiro do esquema de “rachadinha” no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, durante seu mandato entre fevereiro de 2003 e janeiro de 2009. A presença de Queiroz na casa do homem de confiança da família Bolsonaro contraria o discurso do próprio advogado e da família, que afirmaram no último um ano e meio não ter contato com o ex-assessor. Flávio chegou a dizer que um eventual contato entre ambos poderia ser entendido como obstrução de Justiça.