Ministério destitui entidades do Comitê Nacional de Prevenção e Combate à Tortura

    Para cumprir a decisão e incluir a UFRN, a pasta da ministra Damares Alves diz que todas as fases precisam ser refeitas

    Foto: Roque de Sá/Agência Senado

    O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos destituiu nove entidades que representavam a sociedade civil no Comitê Nacional de Prevenção e Combate à Tortura. Elas haviam sido eleitas para o mandato entre 2021 e 2023.

    Foram depostas organizações como o Instituto Terra, Trabalho e Cidadania, a Associação Nacional de Defensores e Defensoras Públicas e o Conselho Federal de Serviço Social. Com isso, seus postos ficarão vagos até que ocorra uma nova eleição.

    A destituição ocorreu após a Justiça Federal do Rio de Janeiro determinar a inclusão da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) no processo eleitoral. A instituição havia sido excluída pelo próprio ministério, que emitiu parecer afirmando que universidades não poderiam concorrer a vagas destinadas à sociedade civil. A Justiça discordou.

    Para cumprir a decisão e incluir a UFRN, a pasta da ministra Damares Alves diz que todas as fases precisam ser refeitas. As entidades, agora, deverão concorrer a uma nova eleição, com resultado previsto para abril deste ano.

    As organizações afirmam, porém, que a anulação do certame extrapola a decisão da Justiça e que vagas remanescentes poderiam ser destinadas à UFRN. Elas ainda acusam o ministério de enfraquecer a atuação do órgão.

    A vacância, segundo elas, prejudica a fiscalização, a prevenção e a interrupção de práticas de tortura em presídios. O ministério nega.