Mulher de Mourão e filha de Villas Bôas recebem dinheiro de associação do Exército

    Empresa do setor privado se tornou um cabide de emprego para parentes de militares, informa colunista

    Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
    Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil | O vice-presidente, general Hamilton Mourão e a esposa, Paula Mourão

     

    A mulher do general e senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), uma filha e uma sobrinha do general Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército, estão entre os parentes de militares na folha de pagamento de uma associação privada vinculada ao Exército, a Poupex. A informação é do jornalista Aguirre Talento, colunista do portal UOL.

    Casada com Mourão, Ana Paula Leandro de Oliveira Mourão foi contratada em 2016 pela associação, conforme documentos internos. Segundo o UOL, ela ocupa a função de assessora especial. Os salários da Poupex, entretanto, não são públicos. Uma tabela interna da remuneração dos cargos, obtida pelo UOL, define que o posto de assessor especial tem remuneração básica de R$ 17 mil. Esse valor, entretanto, pode variar a depender de gratificações e remanejamentos.

    Ex-comandante do Exército entre 2015 e 2019, o general Eduardo Villas Bôas também tem parentes contemplados com cargos na Poupex.

    Documentos da ficha funcional de Ticiana na Poupex identificam que ela tem o posto de analista júnior, cujo salário inicial previsto é de R$ 8 mil. Sua remuneração, entretanto, pode variar a depender de gratificações e penduricalhos.

    A Poupex foi criada em 1982 para atuar no setor de financiamentos imobiliários para militares e é administrada pela FHE (Fundação Habitacional do Exército), órgão vinculado diretamente às Forças Armadas.

    Sem transparência nem a obrigação de prestar informações públicas sobre sua lista de funcionários, a associação se tornou um cabide de emprego para parentes de militares.

    O TCU (Tribunal de Contas da União) apontou, em um relatório de maio deste ano, “indícios contundentes” de nepotismo, com a identificação de 221 casos de parentesco entre contratados da Poupex e integrantes das Forças Armadas. O relatório foi revelado pelo jornal “Folha de S.Paulo” no último dia 21.

    Procurada para comentar a contratação dos funcionários citados na reportagem, a Poupex negou irregularidades, defendeu a “capacidade técnica” dos parentes de militares e disse que não pode ser acusada de nepotismo por se tratar de uma entidade privada.