Na queda de braço entre Bolsonaro e o Congresso, o Brasil é quem perde

    A questão é que os equívocos de Bolsonaro - e um deles é fazer apologia a ditadores, adubam os do Congresso, que age como quer, tendo como estandarte a democracia

    Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil
    Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil

     

    Integrante do PSB e adversário de Bolsonaro, o deputado federal baiano Marcelo Nilo foi enfático: votou a favor dos vetos do presidente à emenda que torna obrigatório o pagamento de emendas orçamentárias propostas pelo relator-geral do Orçamento, algo em torno de R$ 30 bilhões.

    — Imagine botar um dinheirão desses nas mãos de um único deputado para ele cumprir um papel que não é dele. Pela primeira vez, votei a favor de Bolsonaro. E vou votar de novo, no segundo turno.

    A queixa de Marcelo Nilo é pertinente. As emendas vetadas institucionalizam a invasão do Legislativo no Executivo. E coroam uma deformação notária no sistema político brasileiro.

    O pior

    Os problemas nesse jogo são velhos, também com outros atores. No governo Fernando Henrique Cardoso, o deputado federal Roberto Cardoso Alves, do PMDB de São Paulo, explicava a fórmula para persuadir colegas numa frase que entrou para a história: ‘É dando que se recebe’.

    Lula sobreviveu ao jogo entrando de sola no ‘esquemão’, botando uma escala no ‘dando’ nunca registrada. E Temer se abriu todo. Bolsonaro, que passou 24 anos no Congresso, começou dizendo que não iria entrar nisso. Entrou. Na PEC da Previdência, abriu os cofres. E agora trava essa queda de braço.

    A questão é que os equívocos de Bolsonaro – e um deles é fazer apologia a ditadores, adubam os do Congresso, que age como quer, tendo como estandarte a democracia.