Não queremos fazer parte da política e muito menos no quartel, diz comandante do Exército

    Manifestação do general Edson Leal Pujol ocorre dois dias após Bolsonaro citar "pólvora" para defender Amazônia

    Edson Leal Pujol, comandante do Exército (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

    Em uma transmissão ao vivo por rede social na noite de quinta-feira (12), o comandante do Exército, general Edson Leal Pujol, afirmou que os militares não querem “fazer parte” da política nem querem que a política “entre” nos quartéis.

    Pujol fez a declaração dois dias depois de o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) dizer que “quando acaba a saliva, tem que ter pólvora” ao se referir à possibilidade de o país ser alvo de sanções por conta do desmatamento na Amazônia. Em setembro, o presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, cogitou a imposição de barreiras comerciais ao Brasil por esse motivo.

    A fala de Bolsonaro gerou críticas de parlamentares e uma onda de piadas nas redes sociais, muitas com referências ao Exército Brasileiro.

    “Não queremos fazer parte da política governamental ou política do Congresso Nacional e muito menos queremos que a política entre no nosso quartel, dentro dos nossos quartéis. O fato de, eventualmente, militares serem chamados a assumir cargos no governo, é decisão exclusiva da administração do Executivo”, disse Pujol, durante um evento virtual promovido pelo Instituto para Reforma das Relações Estado e Empresa, do qual também participaram o ex-ministro da Defesa, Raul Jungmann, e o ex-ministro e general da reserva Sérgio Etchegoyen (Gabinete de Segurança Institucional).

    Segundo o comandante, nos dois anos em que ele esteve à frente do Exército, o Ministério da Defesa e as Forças Armadas se preocuparam “exclusivamente e exaustivamente” com “assuntos militares”.

    “A respeito da política e dos militares, o que eu tenho a dizer é que nesses dois anos, o Ministério da Defesa e as três forças se preocuparam exclusivamente e exaustivamente com assuntos militares. O nosso diagnóstico é o de que precisamos aumentar, e muito, a nossa capacidade operacional.”

    Pujol disse ainda que, “eventualmente”, o ministro da Defesa é chamado a participar de decisões do governo, mas acrescentou: “Não nos metemos em áreas que não nos dizem respeito”.

    Ao assumir o governo, o presidente Jair Bolsonaro, capitão reformado do Exército, convidou diversos militares da ativa e da reserva ou pessoas com formação militar para cargos no governo.

    Entre esses, estão os ministros Walter Souza Braga Netto (Casa Civil); Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo); Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional); Fernando Azevedo e Silva (Defesa); Eduardo Pazuello (Saúde); Bento Albuquerque (Minas e Energia); Jorge Oliveira (Secretaria-Geral); e Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura).

    O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, também é militar — ele é general reformado do Exército.

    (Com informações do portal G1)