Nas lanchas de Mar Grande, a dor se mistura com revolta

    O que surpreende é a falta de cuidado para tirar proveito da farta literatura de naufrágios e montar sistemas que ampliam as referências de segurança

    Transporte marítimo é o mais antigo da humanidade. Tem os fenícios, os vikings e por aí, com direito a buscas arqueológicas nos nossos dias. Como também sempre houve, a depender da época, baleias no caminho.

    O que surpreende é a falta de cuidado para tirar proveito da farta literatura de naufrágios e montar sistemas que ampliam as referências de segurança. E também de equipamentos que possam enxergar uma baleia.

    É mais ou menos esse o consenso que brota nos debates sobre a tragédia de 20 mortos da lancha Cavalo Marinho I, que fazia a travessia Mar Grande-Salvador. Sensação que predominou ontem na audiência pública que a Comissão de Infraestrutura da Assembleia realizou para discutir os transportes marítimos, com familiares das vítimas presentes. A revolta imperou.

    Mais apanharam o governo e a Agerba. Mas a Capitania dos Portos também.

    No foco, duas cobranças: a punição para os culpados e a segurança futura.

    Minha casa, minha sentença – Mário Conceição, morador de Mar Grande, fez um discurso inflamado:

    — Eu não gostaria de ver os culpados pela tragédia cumprindo pena em casa com tornozeleira eletrônica. Eu quero que eles sejam condenados a ganhar uma casa do Minha Casa Minha Vida e passar o resto da vida ganhando um salário mínimo.