Negromonte e aliados teriam pedido R$ 2 milhões para ajudar Odebrecht

    Em delação, ex-diretor da empreiteira afirmou que pagamento não se concretizou por causa de uma "solicitação estapafúrdia" feita pelo então deputado Pedro Henry

    Foto: Câmara dos Deputados/Fotos Públicas

    O conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA) Mário Negromonte solicitou, junto com os ex-deputados Pedro Corrêa, Pedro Henry e Sandro Mabel, R$ 2 milhões para atender a um pleito da Odebrecht, afirmou o ex-diretor da companhia José de Carvalho Filho. Ex-deputado federal pelo PP, Negromonte julga atualmente as finanças de prefeituras baianas.

    Em depoimento de delação premiada, o ex-funcionário da empreiteira disse que procurou o ex-presidente estadual pepista ao saber que ele era relator da Medida Provisória 183/04, relativa a assuntos tributários.

    “Fiz uma solicitação para que ele avaliasse a possibilidade de apresentar uma emenda de relator, e ele acatou”, disse Carvalho. Em seguida, de acordo com o delator, houve uma reunião no gabinete da liderança do PP na Câmara, da qual teriam participado, além de Negromonte, Mabel, Corrêa e Henry. Na ocasião, “ninguém fez objeção”, nas palavras de Carvalho, ao acerto da propina.

    O pagamento, porém, não se concretizou, segundo o ex-diretor da Odebrecht, devido a uma “solicitação estapafúrdia” feita por Henry, durante almoço em sua casa. Carvalho disse que apenas Henry e Negromonte participaram do segundo encontro.

    A exigência era de que, na mesma tarde, fossem pagos os R$ 2 milhões acertados, afirmou o ex-diretor. “Eu disse que não havia a menor possibilidade”, acrescentou.

    Também será investigado, em outro inquérito, um pedido de contribuição eleitoral de R$ 100 mil que Negromonte teria feito em 2010, segundo o ex-funcionário da Odebrecht.