Nelito: o velho glamour da Alba não ficou em branco

    Figura folclórica da Assembleia se queixa da pandemia: Perdi. "E perdi muito"

    Foto: arquivo pessoal
    Foto: arquivo pessoal

     

    Adolfo Menezes (PSD), presidente da Assembleia, diz que apesar da pandemia, a casa cumpriu as suas funções essenciais este ano, mas ressalva: ‘Foi tudo bem, mas sem glamour’.

    O glamour vem da efervescência que gira por lá, ponto de convergência de líderes de todos os segmentos baianos. Isso, segundo Adolfo, este ano não volta mais. Na ponga, Nelito Mattos, figura folclórica conhecida e querida, alguns parafusos desregulados, 70 anos completados em outubro, a maior parte na porta da Alba, sempre vestido com camisa de ACM (avô e neto), pedindo gorjetas a quem passa, se diz uma das vítimas econômicas da pandemia.

    — Perdi. E perdi muito.

    Visão

    E a quanto tempo Nelito vive na porta da Alba?

    — Desde o início. Eu e ACM somos fundadores do CAB. Sei até quem construiu, a Góes Cohabita, a Concic, o resto… faliu.

    Semana passada pediu dinheiro a alguém, e mostrou os olhos fustigados pela catarata. O cidadão coçava o bolso. Ele avisou:

    — Amigo, a sua camisa está pelo avesso.

    — Ô Nelito, você diz que vai operar a vista, e está enxergando melhor que eu?

    O velho normal não voltou, mas o velho Nelito não deixa o velho glamour em branco.