Publicado em 07/06/2026 às 18h48.

Nikolas rebate professora da UFBA após vídeo sobre racismo: ‘Povo fresco’

Parlamentar criticou a educadora após um vídeo em que ela relatou ter se sentido incomodada durante um atendimento

Luana Neiva
Reprodução/Redes sociais

 

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) usou as redes sociais neste domingo (7) para responder a uma publicação da professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Bárbara Carine. O parlamentar criticou as declarações da educadora após um vídeo em que ela relatou ter se sentido incomodada durante um atendimento em um estabelecimento comercial.

A polêmica teve início depois que Bárbara compartilhou uma experiência vivida em um restaurante. Segundo a professora, ao pedir a conta, foi questionada por um funcionário se o pagamento seria realizado por meio de cartão de crédito. Para ela, a pergunta refletiria uma percepção associada à escassez econômica de pessoas negras.

“Por que que isso me irrita? Parece uma coisa boba. Me irrita porque tá vinculado a uma dimensão de escassez, né, associada a pessoas negras. Entende-se que pessoas negras não têm dinheiro vivo”, afirmou a professora em vídeo publicado nas redes sociais.

A declaração repercutiu e motivou uma resposta de Nikolas Ferreira. Em vídeo divulgado em seus perfis, o deputado contestou a interpretação apresentada pela educadora e afirmou que enxergar racismo em situações cotidianas pode prejudicar o enfrentamento de casos efetivos de discriminação.

“Então, espera aí, o vendedor… não pode ser vendedor não, uai. Ele não pode te falar o preço das coisas, ele não pode te oferecer ali um produto mais barato, ele não pode estar atrás de você ali, entendeu? Esse tipo de coisa que ninguém aguenta, porque sabe o que que essa pessoa está fazendo, que é uma professora da Universidade Federal da Bahia? Ela está literalmente descredibilizando, atrapalhando a luta de fato contra o racismo”, declarou.

O parlamentar também relacionou o episódio a debates sobre expressões da língua portuguesa que, ao longo dos anos, passaram a ser questionadas por possíveis conotações discriminatórias.

“Porque caramba, se qualquer coisa no seu dia a dia pode se tornar racismo, então velho, nada é racismo, uai. É daí que surgem as ideias de não pode falar que você ‘denegriu’ alguém, porque isso é racismo. Não pode falar que ‘a coisa está preta’, porque senão vai falar associado à cor da pessoa. Não pode falar ‘criado-mudo’, porque senão ofende os mudos”, afirmou.

Ao concluir o vídeo, Nikolas voltou a ironizar a situação e comentou a reação da professora ao episódio relatado no restaurante.

“Fico pensando nesse vendedor, tadinho. O cara só perguntou crédito e fez a professora gravar um vídeo de 3 minutos. Imagina se ele tivesse perguntado ‘aproximação’. Já era, amigo. Aí seria assédio, com violência, com racismo. Sério, velho, que povo fresco que se ofende com tudo, né? Ah, não”, disse o deputado.

 

Luana Neiva
Jornalista formada pela Estácio Bahia com experiências profissionais em redações, assessoria de imprensa e produção de rádio. Possui passagens no BNews, iBahia, Secom e Texto&Cia.

Mais notícias

Este site armazena cookies para coletar informações e melhorar sua experiência de navegação. Settings ou consulte nossa política.