Núcleo do três poderes na Bahia, CAB vira santuário ecumênico

    Centro Administrativo é santuário para o candomblé, recebe cultos dos evangélicos e abriga unidade da Igreja Católica

    Frase da vez

    “Se é verdade que a religião, por um lado, liberta o homem do medo, por outro lado gere-o fortemente.”
    Federico Fellini, cineasta italiano (1920-1993).

    Foto: Rafael Martins/ GOVBA
    Foto: Rafael Martins/ GOVBA

     

    O verde exuberante com jeito de mata nativa que impera entre os prédios do Centro Administrativo da Bahia, a área que concentra os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e os seus satélites, tem também mistérios que a leveza ambiental atrai.

    Lá, de há muito, o povo de santo elegeu como um dos santuários para colocar suas oferendas aos orixás. Alguns pontos foram eleitos por grupos evangélicos para fazer cultos. E o nosso CAB, de tantos pecadores confessos e incubados, ganhou também o seu santuário protetor, ecumênico, como manda a boa política, já que lá tem também uma Igreja Católica.

    O lado folclórico do caso vem com o candomblé, que bota dendê e pimenta. Muitos dos galos e galinhas colocados nas oferendas, principalmente da espécie angola, sobreviveram. E fazem das matas entre os prédios do poder o seu habitat.

    As comunidades próximas não se arriscam a pegá-las. Medo de estarem futucando coisas sagradas com vara curta.

    Praça da Maconha

    Já no miolo da Pituba, entre a Praça Edith Gama e Abreu (quase Itaigara) e a Avenida Paulo VI, o estigma é outro.

    Uma praça bem arrumadinha contornada pela Rua das Angélicas não tem uma única placa indicativa do nome do lugar. E se a pergunta é feita aos moradores, a resposta varia, de acordo com o abordado.

    — Praça da Maconha!

    O primeiro respondeu sem pestanejar. O segundo, uma senhora, foi objetiva:

    — É Praça da Assunção, mas conhecida com antiga Praça da Maconha.

    E o terceiro, outra senhora, com uma risadinha de canto de boca:

    — Eu não sei…

    Bota plaquinha lá, prefeitura. Ou organiza, senão o povo oficializa.