O 2 de Julho não foi lá dos melhores. Só deu políticos. Mas o caboclo perdoou

    A maior festa cívica da Bahia sentiu o peso da concorrência com o jogo da Seleção Brasileira numa Copa do Mundo

    Frase da vez

    “A sorte me acompanha, tenho corpo fechado à inveja, a intriga não me amarra os pés, sou imune ao mau-olhado…”

    Jorge Amado, escritor baiano que retratou as lendas do cacau (1912-2001)

    Foto: Camila Souza/Gov-BA
    Foto: Camila Souza/Gov-BA

     

    Quem viu o desfile de 2 de Julho ontem da largada até o último grupo a desfilar percebeu com clareza que a maior festa cívica da Bahia sentiu o peso da concorrência com o jogo da Seleção Brasileira numa Copa do Mundo. E o caboclo perdeu, mas consentiu ou entendeu, a julgar pela alegria que tomou conta do Pelô, quando o pessoal do desfile se misturou com o batuque do Olodum.

    Os Encourados de Pedrão já não brigam com os defensores de animais contra os cavalos no desfile. Simplesmente sumiram. Como também não foi a maior parte das muitas fanfarras.

    Prevaleceram os políticos. Lideranças, todas de todos os lados, a começar por Rui Costa e Jaques Wagner de um lado e Zé Ronaldo e ACM Neto de outro. No povão, grupos de esquerda ligados ao PT.

    Levy Fidélix

    Muito se falou dos presidenciáveis, mas só dois deram as caras,para ir a pé atrás do caboclo. Guilherme Boulos (PSOL) e Levy Fidélix (PRTB), que já disputou a presidência em 2010, quando ficou em sétimo com 57.960 votos (0,06%) e 2014, também em 7º, mas com 446.878 ou (ou,43%), mas diz que está estreando agora:

    — Agora está mais competitivo. Antes, ninguém aguentava. Com o esquema das empreteiras era o badoque contra um canhão.

    Ele estava ao lado do ex-prefeito João Henrique, candidato ao governo, dizendo que é ‘o novo’.

    Como se vê, o caboclo é democrático. Cedeu para a Seleção e ficou com o que sobrou.

    Ciro deu no pé

    Aguardado como estrela maior, entre os presidenciáveis, no desfile do 2 de Julho, Ciro Gomes (PDT) teve uma rápida passagem na estátua do General Labatut, na Soledade, onde tradicionalmente depositam flores e só.

    Motivo alegado: teve um problema no pé, que o impediu de andar. As piadas começaram assim que a noticia correu. Disseram que ao invés de ir ao pé do caboclo, chorou no próprio pé.