“O direito se transforma a partir das mudanças sociais”, rebate Pretas por Salvador

    Mandato coletivo na Câmara Municipal havia sido atacado pelo vereador Alexandre Aleluia (DEM) que classificou a iniciativa como "palhaçada"

    Foto: Divulgação

    O mandato coletivo “Pretas por Salvador” rebateu ao ataque do vereador Alexandre Aleluia (DEM), que classificou a iniciativa de Laina Crisóstomo, Cleide Coutinho e Gleide Davis como “palhaçada”, no último sábado (2). Ao bahia.ba, elas disseram que “o direito se transforma a partir das mudanças sociais”.

    As vereadoras contaram que desde a sessão na Câmara Municipal, no último sábado, tem surgido diversos questionamentos sobre o conceito de mandatos coletivos, inclusive deturpação de falas e reivindicações.

    “No Brasil a primeira mandata [sic] coletiva eleita foi em 2016, em Alto do Paraíso, Goiás. Em 2018 esse número cresceu, tendo em duas grandes capitais mandatas [sic] eleitas, a saber, Bancada Ativista em São Paulo e juntas em Pernambuco e, em 2020, tivemos cerca de 257 candidaturas coletivas, tanto para o Executivo como para o Legislativo, das quais 14 (quatorze) foram eleitas. Já temos, inclusive, uma Frente de Mandatas Coletivas se organizando no país para construir conceitos, trocar experiências e incidir politicamente para que sejamos reconhecidas oficialmente pelo Tribunal Superior Eleitoral”, explicou.

    As Pretas por Salvador foram diplomadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA) e não apenas Laina Crisóstomo, que oficialmente foi o nome que concorreu as eleições. Elas ressaltam que os seus eleitores não votaram apenas na representante registrada no TSE e, sim nas três “co-vereadoras eleitas”.

    “A proposta da Mandata é que as co-vereadoras tenham direito a fala e ao voto como qualquer outro mandato de vereador da Câmara Municipal de Salvador. […] Nós buscamos apenas que a representação da figura pública seja uma decisão nossa. Ou seja, quem vai falar na plenária seja qualquer uma das co-vereadoras que nós escolhermos e que as três sejam reconhecidas nesses espaços como representantes da mandata. Entendemos que temos direito apenas a 1 voto nas sessões, contudo cabe a mandata decidir qual das co-vereadoras irá representar publicamente nossos posicionamentos. Entendemos que o tempo de fala é definido via regimento interno e queremos nossa autonomia para decidir qual das co-vereadoras irá falar ou se iremos dividir o tempo entre nós, só a gente cabe essa decisão”, pontuou.

    No Twitter, o mandato coletivo ainda fez uma publicação direcionada aos ataques que tem sofrido de “fascistas declarados”.

    “Sabemos que estamos no caminho certo de atuação política quando incomodamos fascistas declarados. Sigamos fortes para as lutas sociais”, escreveu.