O fogo no museu, uma vergonha que mostra o descaso com a coisa pública

    O arrocho foi gradativo, aplicado nos últimos três anos. Deveriam ser R$ 550 mil. Este ano, só chegaram R$ 52 mil

    Frase da vez

    “Um povo corrompido que atinge a liberdade tem maior dificuldade em mantê-la”

    Niccolo Maquiavel, filósofo e político italiano (1469-1527)

    Fogo: Tânia Rêgo/ Agência Brasil
    Fogo: Tânia Rêgo/ Agência Brasil

     

    Dizem que tragédias não têm hora para chegar, não pedem licença e interrompem os sonhos. Talvez sim, quando elas são obras do acaso ou até mesmo do azar, mas o caso do Museu Nacional do Rio é típico daqueles que se encaixam bem nas chamadas tragédias anunciadas, se não morte matada por asfixia.

    O arrocho foi gradativo, aplicado nos últimos três anos. Deveriam ser R$ 550 mil. Este ano, só chegaram R$ 52 mil. Até parece que não pagaram para ver. E viram. Isso mostra o quanto a representação política nacional está descolada dos interesses coletivos.

    O caso ganha o carimbo de tragédia anunciada, como todas as similares, com a desconsideração sistemática de obrigações elementares em situações de risco visíveis. Ontem, o ministro Carlos Marun, da articulação política, justificou cortes nas verbas da educação dizendo que o país gasta com a Previdência mais de R$ 1 bilhão por dia

    Culpa da Previdência? Piada. Uma rápida olhadela nas cifras da corrupção reveladas pela Lava Jato aponta que só Sérgio Cabral, ex-governador do Rio, é acusado de ter desviado R$ 386 milhões. Um levantamento de peritos da PF mostra que as operações investigadas envolvem contratos da ordem de R$ 8 trilhões. Só da Petrobras desviaram R$ 21 milhões.

    A violência que tantas dores tem causado aos brasileiros e o museu são vítimas de um modelo que perdeu o foco, o interesse coletivo. Por meios lícitos ou ilícitos, só se pensa no próprio umbigo. Dá nisso.