O milagre de Jair Bolsonaro: ganhar do corona na mídia

    Produção que o projeta, contudo, é sempre de fatos negativos. E não para

     

    Foto: Reprodução/Facebook
    Foto: Reprodução/Facebook

     

    A doutrina do bom jornalismo dita que o interesse público, seja qual for o fato, tem de estar sempre acima de tudo (até da verdade). Óbvio que vírus matando gente nos quatro cantos do planeta, inclusive entre nós, um fato de abrangência mundial, prevaleceu a lógica: quando a pandemia pintou, só deu o corona.

    Para se ter ideia da força avassaladora com que chegou, até o acompanhamento da notícia da prisão de Ronaldinho Gaúcho no Paraguai evaporou. E não é que Bolsonaro conseguiu o milagre de destronar o corona da prevalência midiática? Primeiro, demitiu Mandetta. Depois, foi à manifestação contra a democracia e, com a demissão de Moro, se superou.

    Do mal

    —A produção que projeta Bolsonaro, embalada pelo fato de ele ocupar o maior posto da República, é sempre de fatos negativos. E não para.

    Domingo teve outra manifestação pró-intervenção militar, também contra a democracia. Até o Ministério da Defesa soltou nota dizendo que as Forças Armadas são a favor da democracia e condenou a agressão a jornalistas bem em frente ao Palácio do Planalto

    O time de Bolsonaro vem mostrando as asas há dias. No 1º de Maio, agrediu enfermeiros que protestavam na Praça dos Três Poderes, em Brasília. No dia seguinte, se atritaram com partidários de Moro na sede da PF em Curitiba e cercaram a casa do ministro Alexandre de Moraes (STF), em São Paulo, para ofendê-lo. Tudo com o sorriso presidencial. O corona não é páreo mesmo.