Obra em casa de filha de Temer teve pagamento de R$ 100 mil em dinheiro

    Amigo do presidente da República, ex-coronel PM tentou destruir provas antes que a Polícia Federal apreendesse material, mas foi pego em flagrante

    Foto: Reprodução TV Globo

    Um dos fornecedores que trabalharam na obra de reforma da casa de Maristela Temer, uma das filhas do presidente Michel Temer (PMDB), disse que recebeu R$ 100 mil em dinheiro vivo pelos serviços. A responsável pelo pagamento foi a arquiteta Maria Rita Fratezi, mulher e sócia do ex-coronel da Polícia Militar João Baptista Lima Filho, que foi citado na delação da JBS como receptor de propina de R$ 1 milhão para o presidente.

    A reforma foi feita em 2014 e há alguns dias a Polícia Federal (PF) encontrou documentos rasgados com informações sobre a obra na casa do ex-coronel. Maria Rita Fratezi e Lima são sócios na PDA – Projeto e Direção Arquitetônica Ltda. A PDA está registrada num imóvel próximo à Argeplan, a empresa de projetos de engenharia do ex-militar.

    No apartamento do casal, além de documentos rasgados, os investigadores encontraram ainda um e-mail da construtora que fez a obra endereçado a Maria Rita Fratezi. Nele, o empreiteiro cobrava R$ 40 mil pela conclusão de uma etapa da obra. Não se sabe se esse valor chegou a ser pago.

    O nome do “Coronel Lima” aparece nas delações da JBS. Em depoimento, o executivo Ricardo Saud disse que mandou entregar uma propina de R$ 1 milhão, em dinheiro, para o ex-militar, a pedido de Temer.

    Por meio de nota, o Palácio do Planalto disse que o “coronel” João Baptista Lima Filho cuidava do gerenciamento das campanhas de Temer desde a década de 1980 e que é natural que ele tivesse cópias de documentos das disputas anteriores. E que jamais houve entrega de recursos ao ex-militar a pedido de Temer.