Odebrecht relata pressão por doação via BNDES, diz jornal

    Guido Mantega e o presidente do banco Luciano Coutinho teriam cobrado repasses para a campanha de Dilma

    Foto: Agência Brasil

    O empresário Marcelo Odebrecht afirmou aos investigadores da Operação Lava Jato que o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, cobraram doações para a campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), em 2014. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, as declarações do empreiteiro foram feitas em um roteiro para negociar um eventual acordo de delação premiada.

    De acordo com a reportagem, Marcelo Odebrecht relatou que Mantega e Coutinho eram os responsáveis pela obtenção de doações entre empresários que tinham financiamento do BNDES no exterior – os empréstimos, segundo ele, eram usados como forma de pressionar as empresas por colaborações.

    Os procuradores que integram a força-tarefa da Lava Jato querem, conforme a reportagem, que o empresário forneça detalhes de como funcionaria o esquema de financiamento de projetos no exterior por empreiteiras brasileiras por meio do banco de fomento.

    STJ – Marcelo Odebrecht informou também que a presidente Dilma Rousseff tentou garantir sua liberdade após ele ser detido, em junho do ano passado. Ele relatou, segundo o jornal, que a nomeação do ministro Marcelo Navarro Ribeiro Dantas para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) era parte da ofensiva contra as prisões de empreiteiros na Lava Jato.

    O senador Delcídio Amaral (ex-PT-MS) já havia apontado, em delação, a tentativa de Dilma de interferir na Lava Jato via STJ. A presidente negou e afirmou que as declarações de Delcídio são “mentirosas”. Em março, Marcelo Odebrecht foi condenado a 19 anos e 4 meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa no esquema investigado na Lava Jato. Outros ex-executivos da maior empreiteira do país também foram condenados e negociam delação.

    À Folha, Mantega e Coutinho afirmaram que nunca trataram de doações para campanhas. O presidente do BNDES informou que “jamais” falou sobre doações com executivos da Odebrecht ou de qualquer outra empresa. O ex-ministro disse que “jamais tratou de assunto de campanha de quem quer que seja” e que “rechaça essa insinuação”.