Oposição cobra suspensão de título a Flávio Bolsonaro em Salvador

    O documento apresentado pela oposição também aponta possíveis conflitos com os princípios da impessoalidade

    Foto: Divulgação

    A bancada de oposição na Câmara Municipal de Salvador voltou a questionar a concessão do Título de Cidadão Soteropolitano ao senador Flávio Bolsonaro (PL) após o anúncio de que a homenagem será entregue nos próximos dias, em cima de um trio elétrico. Segundo os vereadores, milhares de mensagens de protesto foram registradas nos canais da Ouvidoria da Casa.

    Os oposicionistas já haviam pedido a revisão da honraria em maio deste ano, por meio do Ofício nº 83/2026, encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). No documento, a bancada solicitou a suspensão da solenidade até que fossem esclarecidas denúncias divulgadas pela imprensa sobre supostas irregularidades envolvendo o senador.

    Entre os pontos citados está a informação de que o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria destinado R$ 61 milhões ao financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro após um pedido de Flávio. O ofício menciona ainda que as negociações poderiam alcançar R$ 134 milhões, em operações realizadas entre fevereiro e maio de 2025.

    Para os vereadores, as informações, caso confirmadas, levantam suspeitas sobre possível uso de influência política para obtenção de vantagens privadas. A bancada defende que a Câmara reavalie a concessão do título diante das denúncias.

    Oposição questiona princípios da homenagem

    A vereadora Aladilce Souza (PCdoB), suplente do senador Jaques Wagner (PT), argumenta que a concessão de títulos honoríficos deve respeitar os princípios da moralidade administrativa e do interesse público. Segundo ela, a homenagem exige que a trajetória do beneficiado seja compatível com a importância da honraria.

    “O que não é o caso, convenhamos. E não podemos ignorar que a Bahia deu nas urnas um sonoro NÃO ao bolsonarismo”, afirmou.

    O documento apresentado pela oposição também aponta possíveis conflitos com os princípios da impessoalidade e republicano. Para os parlamentares, o título representa um patrimônio simbólico da cidade e não deve ser usado para conferir prestígio público a pessoas envolvidas em denúncias ainda não esclarecidas.

    A bancada pede que a CCJ reavalie o mérito da homenagem com base nos fatos citados no ofício. O documento foi entregue ao presidente da Câmara, vereador Carlos Muniz (PSDB), e solicita a suspensão da entrega até que as questões levantadas sejam esclarecidas.

    Além de Aladilce e do líder da oposição, Randerson Leal (Podemos), integram a bancada Hamilton Assis e Eliete Paraguassu (PSOL), Marta Rodrigues (PT), Silvio Humberto (PSB), João Cláudio Bacelar (Podemos), Hélio Ferreira (PCdoB), Felipe Santana (PSD) e Dr. David Rios (MDB).