Oposição evita declarar apoio antecipado e fala em candidatura própria à Câmara

    O deputado Arthur Lira (PP-AL), líder do centrão e alinhado a Jair Bolsonaro, se colocou na disputa; Elmar Nascimento (DEM-BA) é cogitado

    Foto: Marcelo Casal Jr./Agência Brasil

    O bloco de oposição ao governo Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados ainda não garante apoio às possíveis candidaturas à Presidência da Casa. O deputado Arthur Lira (PP-AL), líder do centrão e alinhado ao chefe do Executivo, se colocou na disputa na semana passada. Outro nome cogitado para a disputa é do democrata Elmar Nascimento (BA).

    Parlamentares de oposição ouvidos pelo bahia.ba afirmam que os partidos da oposição avaliam qual passo tomar.

    “Elmar tem toda a legitimidade para pleitear, e cabe ao DEM decidir se ele é candidato ou não, e ao bloco que ele pertence também decidir se ele é candidato ou não. Eu tenho muito respeito por Elmar, acho que ele tem todas as condições de ser presidente da Câmara. Mas não tem nenhuma posição do PCdoB, que está discutindo o assunto”, afirmou o deputado Daniel Almeida (BA).

    O comunista evitou avaliar qualquer cenário, porque ainda não há nada definido. Se por um lado o presidente nacional do DEM e prefeito de Salvador, ACM Neto, sugeriu que o partido pode abrir mão da Câmara para viabilizar a candidatura do senador Rodrigo Pacheco (MG) à Presidência do Senado, há também a possibilidade de existirem até três ou quatro nomes tentando o comando da Câmara dos Deputados.

    Um desses nomes, inclusive, pode vir da própria oposição. O deputado Afonso Florence (PT-BA) defende movimento semelhante à disputa em 2018, no qual a minoria lançou uma candidatura, ou que o próprio PT indique um nome para tentar a Presidência da Casa Legislativa.

    Independentemente de qual seja a decisão, o parlamentar acredita que é mais importante, pelo menos neste momento, construir um programa para funcionamento interno da Câmara dos Deputados. Isso inclui condução pautada no que chamou de equilíbrio republicano, garantias democráticas na relação entre os poderes e compromisso com agenda de retomada da atividade econômica, da renda emergencial, valorização do salário mínimo, retomada da política da agricultura familiar e papel da Câmara na estabilidade democrática do país.

    “A orientação não é avaliar candidatura A ou B ainda, é construir alternativa”, acrescentou Florence.

    O PSB parte da mesma linha, de acordo com a deputada Lídice da Mata (BA). O documento discutido pela bancada do partido estabelece compromissos que o candidato à Presidência da Casa deverá concordar para então ser apoiado pela legenda. A parlamentar destaca o compromisso com a democracia e que a Câmara não se transforme num ambiente de garantia de interesses do Poder Executivo, já que a pauta do presidente Jair Bolsonaro tem sido orientada para a fragilização da democracia e das instituições democráticas, e não-proteção à vida da população.

    Além desse conjunto de compromissos, o PSB ainda não definiu uma estratégia de atuação que agregue os demais partidos ou que envolva um nome do bloco da minoria. A situação não parece preocupar a parlamentar baiana.

    “Em nossa compreensão, um patamar precisa ser considerado: não votar em candidato do presidente da República. Se outra candidatura estiver pra ganhar e o presidente apoiar, todo mundo sabe quem dá seu impulso de vitória numa eleição. O candidato terá que assumir primeiro os compromissos com quem está lhe apoiando. Se o presidente secundariamente lhe apoia, é diferente”, afirmou.