Os pescadores e a luta para retomar o respeito surrupiado por aproveitadores

    "Temos que mudar a lei. E recadastrar todo mundo. Não é justo que o verdadeiro pescador pague a conta", diz Raimundo Costa, pescador e deputado eleito

    Frase da vez

    “Tudo parece impossível até que seja feito”

    Nelson Mandela, líder sul-africano que acabou o apartheid (1918-2013).

    Foto: Valença Agora
    Foto: Valença Agora

     

    Raimundo Costa, deputado federal eleito, tomou ontem posse do segundo mandato de presidente da Federação da Pesca e Aquicultura da Bahia, entidade que congrega 66 colônias de pesca ativas em todo o litoral baiano, da divisa com Sergipe ao Espírito Santo, e ao longo de todo o Rio São Francisco, com mais de 150 mil associados.

    Ele diz que tem pela frente um enorme desafio. É a primeira vez que pescador elege um representante na Câmara. Então, que nos diga Raimundo: e qual é a principal demanda do pescador?

    Pagando o pato

    Diz Raimundo que o pescador sempre foi jogado de lado. Citou, por exemplo, o caso da Bahia Pesca, que o governo vai privatizar:

    — Na prática, perdemos o que já não tínhamos, uma empresa de fomento que não fomentava. Mas era uma ferramenta. Agora nem isso…

    Mas Raimundo diz que o principal problema é arejar a questão do ponto de vista institucional e moral.

    — Infelizmente a demanda principal é social, a busca por benefícios que o governo só corta. Há oito anos que o governo não emite uma única carteira nova de pescador.

    A raiz da questão: antes, eram só as colônias agenciavam os registros. Depois, associações também. O número de associações pipocou e o de gente se passando por pescador, atrás dos benefícios, também.

    — Temos que mudar a lei. E recadastrar todo mundo. Não é justo que o verdadeiro pescador pague a conta.