Otto diz que reforma da Previdência não pode atingir quem já tem pouco

    "São pessoas com as quais o Estado já falhou muito. Não pode abandoná-las por completo"

    Foto: Rodrigo Aguiar/ bahia.ba
    Foto: Rodrigo Aguiar/ bahia.ba

     

    Eleito por unanimidade presidente da Comissão Especial para Acompanhamento da Reforma da Previdência, o senador Otto Alencar (PSD) diz que aceitou a missão de bom grado por uma razão bastante objetiva: ganhou um lugar de fala privilegiado para defender os que já não tem.

    — Temos 15 milhões de brasileiros abaixo da linha da pobreza. Isso é uma população do tamanho da Bahia. E qualquer presidente da República vai ter que entender que não podemos criar um país com bolsões de miséria maiores do que são.

    Pontos da polêmica

    É por aí que ele entende que algumas situações hoje consolidadas não podem mudar.

    1 — O Benefício da Prestação Continuada, que assegura um salário mínimo para deficientes físicos ou idosos com mais de 65 anos que não têm condições de se manter.

    2 — Aposentadoria Rural. O projeto propõe ampliar o tempo para requerer (hoje 65 anos) e instituir a contribuição.

    — Não há o que mudar. Quando ocupei o governo baiano levei empresas para lugares em que conheço toda a população, como Rui Barbosa e Itaberaba. Ficava triste quando alguém me pedia emprego e a pessoa não tinha qualquer qualificação. São pessoas com as quais o Estado já falhou muito. Não pode abandoná-las por completo.

    Otto diz ter a concordância de pessoas como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Sobre a capitalização, o modelo pelo qual cada recebe o que contribuiu, diz ser a favor, mas só para quem ganhar mais. De pobre, não.