Publicado em 27/06/2018 às 11h35.

Otto virou liderança forte com viúvas do carlismo que Geddel não segurou

Chegou a tal condição, ironicamente, por uma obra de engenharia política de Jaques Wagner

Levi Vasconcelos

Frase da vez

“A cultura é uma muleta com que o coxo bate no são para mostrar que também a ele não faltam as forças”

Karl Kraus, jornalista e poeta austríaco (1874-1936)

Foto: Jane Araújo/ Agência Senado
Foto: Jane Araújo/ Agência Senado

 

Diz o senador Otto Alencar (PSD) que a opção de Rui Costa por Angelo Coronel, o ungido dele, na segunda vaga para o Senado na chapa governamental (ao invés da senadora Lídice da Mata-PSB) ocorreu graças ‘a uma decorrência das circunstâncias do momento’.

E quais são as tais circunstâncias do momento? Simples. Otto se tornou uma das mais expressivas lideranças do Estado na banda governamental, só superada pelo próprio Rui Costa. E chegou a tal condição, ironicamente, por uma obra de engenharia política de Jaques Wagner.

A gênese

Na gênese da questão, estão as chamadas viúvas do carlismo que pouco depois de 2006, quando Wagner ganhou o governo unindo todas as forças anticarlistas, entre elas, Geddel, correram em massa para o PMDB, hoje MDB.

Em 2010, Geddel rompeu com o governo e decidiu disputar o governo, de quebra, levando César Borges, que já estava apalavrado com Wagner, para disputar o Senado.

Foi aí que Wagner fez a jogada. Foi no TCM e convenceu Otto a voltar ao cenário político. Colou. ACM Neto, ressalte-se, herdou do avô, além da grife, uma fatia do eleitorado, mas o grosso habituou-se a ser governo. E por isso Geddel não segurou.

Otto engordou ainda mais o cacife quando as circunstâncias o ajudaram, com a desilusão com o PT logo após o impeachment de Dilma e com Temer após o caso Joesley. Foi nesse jogou que Lídice sobrou.

Levi Vasconcelos

Levi Vasconcelos é jornalista político, diretor de jornalismo do Bahia.ba e colunista de A Tarde.

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