Para aliados de Bolsonaro, gravação clandestina de Ramagem não deveria ser naturalizada

    Após vir a público o episódio do grampo, o apoio dado pelo ex-presidente a Ramagem poderia endossar nova ‘arapongagem’

    Foto: Reprodução / Instagram

    O entorno de Jair Bolsonaro (PL) expressou preocupação após o ex-presidente anunciar que mantém apoio a Alexandre Ramagem (PL-RJ) na disputa pela prefeitura do Rio de Janeiro, mesmo após vir a público uma gravação clandestina feita pelo aliado.

    Conforme Guilherme Amado, no portal Metrópoles, aliados de Bolsonaro avaliam que a gravação clandestina encontrada pela Polícia Federal (PF) no computador de Ramagem não deveria ser naturalizada. Para eles, o endosso de Bolsonaro pode passar a mensagem de que o ex-presidente aceita que sejam feitos novos grampos clandestinos.

    O apoio em questão ocorre a despeito da irritação do ex-presidente ao tomar conhecimento da “arapongagem”. Segundo Bela Megale, no O Globo, Bolsonaro relatou a pessoas de seu entorno indignação com o fato da PF ter em mãos um grampo feito por alguém de sua extrema confiança.

    Em conversas privadas, o ex-presidente deixou claro que desconhecia qualquer áudio sobre o encontro e questionou, aos gritos, como o chefe da Abin foi capaz de gravar um presidente.

    GRAMPO CLANDESTINO

    A Polícia Federal (PF) encontrou o áudio com uma conversa entre o ex-presidente Jair Bolsonaro, o ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) Augusto Heleno e o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem na investigação de espionagem ilegal no órgão de inteligência do governo federal. Segundo a PF, a conversa foi “possivelmente” gravada por Ramagem e ocorreu em agosto de 2020.

    O áudio foi citado no relatório da investigação da Abin paralela, divulgado nesta quinta-feira (11) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após a retirada do sigilo do inquérito.

    A gravação tem 1 hora e 8 minutos e está sob segredo de Justiça. Segundo a PF, a conversa está relacionada ao uso ilegal da Abin para obter informações sobre a investigação na qual o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi investigado por “rachadinha” no seu gabinete quando ele ocupou do cargo de deputado estadual.