Para José Sérgio Gabrielli, a política do governo deixa o Brasil muito vulnerável

    'Aqui no Brasil a Petrobras domina 90% do mercado. Nos EUA é outra história, há uma sucessão de pequenas e médias empresas que fazem uma concorrência real'

    Frase da vez

    “Não espere por uma crise para descobrir o que é importante em sua vida”

    Platão, filósofo grego da antiguidade (427 a.C.-347 a.C.).

    Foto: Izis Moacyr/Bahia.ba
    Foto: Izis Moacyr/Bahia.ba

     

    Diz José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, que a confusão do momento, eclodida com a greve dos caminhoneiros, é a soma de dois fatores, as frequentes altas dos preços de combustíveis e a queda do volume de fretes com a crise econômica:

    — O reajuste diário de preços é um absurdo. Isso não é um mercado de padaria. Aqui no Brasil a Petrobras domina 90% do mercado. Nos EUA é outra história, há uma sucessão de pequenas e médias empresas que fazem uma concorrência real, não há hegemonia.

    Gabrielli lembra que nem pelo fato do preço da carne oscilar o dono de um restaurante fica alterando os preços do cardápio e diz que a variação diária de preços e a contração da produção tem uma intenção clara e deliberada, explicitada nas diretrizes da direção:

    — É a política de quem quer vender as refinarias, como todas as demais empresas ligadas a Petrobras. Dizem que querem deixar a Petrobras só com petróleo. Ora, com as atividades múltiplas, quando o preço do petróleo cai, ela ganha em outras como o refino. No curto prazo, pode até parecer bom. No médio, um desastre. Como vai, os acionistas também não ganham. Temos 200 novos importadores de combustíveis.

    Ele afirma que a solução dada pelo governo para a crise é ‘paliativa e de curto prazo’.

    O país, ultra dependente de petróleo como a greve mostrou, caminha para ficar extramente vulnerável.