Frase da vez
“Se estiver passando pelo inferno, continue caminhando”
Winston Churchill, o primeiro-ministro que comandou a Inglaterra na II Guerra Mundial (1874-1965)

Dos 36 deputados federais baianos que votaram na apreciação da PEC 241, 27 foram a favor, oito, contra, e um, Bebeto, do PSB, absteve-se. É um placar bastante diferente do impeachment de Dilma, quando a Bahia deu a maior vitória à ex-presidente, com 22 contra e 14 a favor.
No caso da PEC, um detalhe curioso: 14 dos que na Bahia posicionam-se como aliados do governador Rui Costa, lá foram favoráveis ao projeto de Michel Temer.
Ou seja, estão fazendo jogo duplo, com um pé no governo petista de Rui e outro no de Temer.
O senador Otto Alencar, o maior vitorioso nas urnas de 2016 na Bahia, admite que orientou os seus quatro aliados do PSD, a votar a favor, por convicção. José Carlos Araújo alega que o PR fechou questão. O deputado Cacá Leão, do PP, vai na mesma linha.
O fato objetivo é que PSD, PP e PR eram carne e unha com Dilma, nos bons tempos, agora estão carne e unha com Temer.
Eis a questão: até que ponto isso vai influenciar o cenário baiano em 2018?
Eles são unânimes em dizer que uma coisa nada tem a ver com a outra, mas não é bem assim. Só para dar um item: vem aí uma reforma política e um dos pontos que se discute é o fortalecimento dos partidos, com o alinhamento de alto a baixo.
Além do mais, alguns dos 14 em apreço mostram que são amigos do poder, esteja ele onde estiver.
Rui Costa que se cuide.
Medo da Odebrecht
O acordo de delação firmado pela Odebrecht, que envolve o alto comando, com Emílio Odebrecht e o filho Marcelo à frente, mais 50 executivos da empresa, está causando muita apreensão ao mundo político do Brasil, em geral, e da Bahia, em particular.
O acordo com Emílio é que ele ficará um ano preso, seis meses em prisão domiciliar e os outros seis meses em regime aberto.
A ordem é contar tudo e é aí que a porca torce o rabo. A Odebrecht sempre teve intensa participação nas campanhas baianas, de vereador em Salvador a governador. Se sair tudo, muitas reputações, democraticamente de todos os lados, rolarão água abaixo.
Essa é a razão do medo geral.
Triagem
A Odebrecht sempre teve listas de doações em todas as campanhas.
A questão vai ser triar, a partir das delações, o que era doação formal e o que era caixa 2. O rolo vai ser grande.
Teleféricos baianos
Na viagem que faz à França, um dos focos de Rui Costa é observar como funcionam os teleféricos por lá e quem vende.
Ao longo do traçado do metrô de Salvador, alguns teleféricos serão instalados para captar gente até as estações.
Gol contra
Herzém Gusmão (PMDB), favorito para vencer a eleição em Vitória da Conquista, no pleito de domingo, derrapou em entrevista à TV Sudoeste, da Rede Bahia.
Disse ter lamentado a ausência do deputado Valdenor Pereira (PT) nas articulações da bancada baiana em Brasília para uma emenda de R$ 100 milhões a serem investidos na Barragem do Rio Catolé, o que resolveria o problema de água na cidade.
A questão: tal emenda não existe.
Rosa ferida
O Outubro Rosa ainda tem longo caminho a percorrer até que o conjunto da população tenha um atendimento satisfatório, conforme revelou a médica Vanessa Dybal Bertoni, ontem, na sessão especial da Comissão das Mulheres na Assembleia para marcar a data.
— Segundo o Instituto Nacional do Câncer, são 56 mil novos casos por ano no Brasil. Isso é uma Fonte Nova lotada. No Nordeste, são 11 mil e, na Bahia, 2.760; mas esses números têm tudo para não serem reais, porque faltam aparelhos de mamografia e, em muitos casos, não se consegue biopsiar.
Cenário ruim
Óbvio que o cenário é ruim. Vanessa diz que todos os anos se discute o assunto, mas a divulgação, a transparência ampla para a realidade, ainda é bastante pequena, sem falar que faltam mais serviços públicos de atendimento:
— Já é o quarto ano que venho aqui na Assembleia. Estamos na luta.
Estado de guerra
Um zap circulou ontem pela manhã entre moradores de Águas Claras com um áudio dando um recado curto e grosso:
— Atenção pessoal. Quem está na rua, procure ir para casa; quem está porta, entre. Há mais de 60 homens armados para esperar a polícia, que já está rondando a área com helicópteros. Vamos riscar o bonde. Ouça bem: quem está na rua, procure ir para casa. O bicho vai pegar.
É evidente que todos obedeceram. À tarde lá, na rua só uns gatos-pingados.
Com álcool
O STF reformou a decisão da 4ª Turma que permitia a colocação da expressão “sem álcool” em uma das versões da Bavaria, cerveja da Kaiser. Pela nova decisão, o rótulo da cerveja tem baixo teor alcoólico, mas tem.
Para o STJ, o “sem álcool”, deve ser sem álcool mesmo.
Ocupação vigiada
A ocupação por estudantes dos campi da Uesb, Ifba e Ufba, em Vitória da Conquista, em protesto contra a PEC 241, está dando um rolo extra. Lá tem segundo turno domingo e nos locais há pontos de votação. O juiz eleitoral Wander Cleuber Oliveira Lopes determinou que eles saiam.
O prazo termina hoje, mas a situação está caminhando para os estudantes ficarem, sob o olhar da polícia.
Abacaxi para sucessores
Levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) revela que, dos 417 municípios baianos, 202 estão com as finanças esbagaçadas. Ou seja, os novos prefeitos ou os velhos que se reelegeram, vão pegar um abacaxi.
A UPB diz que é consequência da queda de repasses. Ou seja, da crise.

