Publicado em 06/08/2026 às 09h11.

Partido aposta em ‘Bancada da Macumba’ nas eleições deste ano

Proposta busca fortalecer a representação política de praticantes de religiões de matriz africana

Daniel Serrano
Foto: Reprodução/Redes sociais

 

Alguns candidatos do PSOL nas eleições deste ano anunciaram a criação de um coletivo batizado de “Bancada da Macumba”. O grupo tem como objetivo reunir postulantes à Câmara dos Deputados ligados às religiões de matriz africana para ampliar a representação política dos povos de terreiro no Congresso Nacional.

De acordo com os integrantes do grupo, a proposta é garantir que praticantes das religiões de matriz africana participem diretamente da elaboração de leis, da definição dos orçamentos públicos e da formulação de políticas nacionais voltadas ao segmento.

Em publicação nas redes sociais, os candidatos afirmam que a expressão “Bancada da Macumba” foi adotada como uma identidade política de enfrentamento ao racismo religioso e de ressignificação de um termo que, segundo eles, foi historicamente utilizado de forma pejorativa.

“A expressão ‘Bancada da Macumba’ é assumida como uma identidade política popular, de enfrentamento ao racismo e de ressignificação de uma palavra historicamente utilizada para criminalizar, inferiorizar e perseguir as tradições de matriz africana”, diz o manifesto divulgado pelo grupo.

Os organizadores defendem que os povos de terreiro deixem de ser apenas alvo de homenagens, pesquisas ou políticas pontuais e passem a ocupar espaços de decisão.

“Ninguém pode falar melhor por nós do que nós mesmos. Enquanto não tivermos macumbeiros e macumbeiras ocupando os parlamentos, continuaremos sendo lembrados apenas em momentos pontuais, sem participação efetiva nas decisões”, afirmam os candidatos.

 

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Grupo reúne candidatos de quatro estados

A articulação é formada por seis candidatos à Câmara dos Deputados: Adriano Fiúza (Distrito Federal), Mãe Su de Nanã (São Paulo), Renato Fonseca (Pernambuco), Wesley Mendes (Bahia), Mãe Bernadete de Oxóssi (Bahia) e Ariane Magalhães (Rio de Janeiro).

Segundo o manifesto, a proposta poderá reunir sacerdotes e sacerdotisas, ogãs, ekedis, umbandistas, juremeiros, lideranças comunitárias, pesquisadores, educadores populares, agentes culturais, ativistas do movimento negro e outras pessoas comprometidas com os direitos dos povos tradicionais de matriz africana.

O grupo também afirma que pretende dialogar com parlamentares de outros partidos que apoiem a pauta, mesmo que não pertençam às religiões de matriz africana, desde que assumam compromisso público com a agenda defendida pela articulação.

Daniel Serrano
Daniel Serrano é baiano de Salvador e atua como repórter de Política no bahia.ba. com passagens pela TV da Câmara Municipal de Salvador e pelos sites Varela Notícias, Radar da Bahia, Política Ao Vivo e BNews.

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